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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Volto a cair

Acordei a tempo mas não sou capaz de ir à primeira aula hoje.
Amanheci com uma cara de meter medo ao susto de tanto que me espremi ontem a chorar desalmadamente por razões que nem eu sei distinguir. E, mesmo depois de tanto choro e tantas lágrimas derramadas, continuo a querer chorar, ainda tenho lágrimas para deitar cá para fora e não consigo compreender porquê.


Ontem estive com o G. com quem já desde segunda não estava.
Conversámos muito mas a minha decisão de nos afastarmos estava tomada, bem ou mal e nada do que foi dito a fez mudar.
Ele tentou que as coisas fossem feitas de outra forma, ele disse-me o que sentia e como estava mas eu não conseguia voltar atrás já - disse-me que se gostávamos um do outro e nos fazíamos bem um ao outro tínhamos era de continuar juntos, que conseguiríamos ultrapassar isto lado a lado mas eu não tenho conseguido mesmo com ele comigo. Então dizia-me que, se eu não tenho conseguido com ele, não o devia afastar pois seria mais difícil e não garantia nada que eu ficasse melhor só do que estou agora.
Disse-me que trabalharíamos juntos, que resolvíamos as pequenas coisas que nos chateiam ou fazem perder a paciência às vezes, que era uma questão de tempo até as ultrapassarmos a todas.

Sendo eu alguém que, quando se apaixona, está logo pronta a namorar, é por impulso e não consegue gerir aquilo que quer e deseja, não compreendo como é que, depois do que já passámos juntos, do que ele já fez por mim e por nós, das provas que já me deu do quanto gosta de mim, de tudo o que me fez sentir e do que vivemos e partilhámos...eu não sinto que esteja preparada para oficializar uma relação (que já é uma relação, já existe) mas, cá dentro, teimo em não conseguir deitar cá pra fora.
Faz-me confusão e custa-me isto, não sou eu assim. Não faz sentido na minha cabeça nem no meu coração quando sei que ele me faria/faz bem e, mesmo assim, não estou capaz disso. Por isso decidi assim, porque senti que não era normal, passado este tempo juntos, ainda não me sentir minimamente preparada para assumir algo que já há porque essa não sou eu.

Custou-me tanto mas tanto... Nem imaginava que seria assim.
Sinto que me perdi de mim mesma algures e que a falta de me encontrar está a dar cabo de mim, preciso de me sentir bem comigo mesma e voltar a saber o que sou, onde estou. Sei que as certezas não são necessárias na vida, as que há são muito poucas e difíceis de se alcançar mas eu sinto essa necessidade, tenho de ganhar para a minha vida algumas certezas para que possa estar em paz.


Quando eu vivo numa roda viva e ora estou nas nuvens ao seu lado e desejo tê-lo comigo durante uma vida, ora só me apetece afastá-lo, fugir e não estar com ninguém, é normal que não seja compreensível e faça imensa confusão à sua cabeça e coração. Eu digo-lhe sempre o que vou sentindo e isso torna as coisas difíceis e talvez imperceptíveis ou compreensíveis. Eu sei como é porque é o mesmo que sinto por estar assim: que não faz sentido, que não é normal e que me deixa triste e cansada.
Eu sei que ele aceitaria ficar comigo de qualquer forma, com as condições que eu desejasse e como entendesse porque me ama de verdade mas eu não quero isso nem para ele, nem para mim, nem para nós. Eu quero ter a certeza que quero chamá-lo meu namorado, assumidamente e não me arrepender-me-ei de o ter feito logo no dia seguinte. Pelo menos isso, será pedir ou querer muito?

Ele sofreu e sofrerá imenso com toda esta situação e eu saber disso faz com que me sinta profundamente triste, numa tristeza que julguei não conhecer mais e de um momento para o outro já me voltou a agarrar. No entanto, como o homem fantástico que é, respeitou a minha decisão apesar de ter tentado fazer-me mudar de ideias e deu-me a força que conseguiu. Disse-me que estaria sempre junto a mim e disponível para o que eu precisasse e queria muito que eu conseguisse encontrar-me como tanto preciso. Disse-me que me amava e que, por isso e por ser como é, não conseguiria fazer outra coisa senão esperar que viéssemos a voltar a estar juntos.

"Não me mandes embora da tua vida assim" e eu não quero de verdade fazê-lo mas não sei que mais posso fazer, quais as alternativas e tenho de tentar por algum lado, de alguma forma...
Pediu-me que não pusesse já tudo em definitivo - mas como posso eu por? Eu gosto dele, sinto a sua falta, tenho saudades suas mas não me sinto em condições de estar com ninguém porque eu mesma não estou bem comigo e não me sinto "calma".

Custou-me horrores vê-lo sofrer e chorar como uma criança desamparada mesmo ali à minha frente e, pior que isso, saber que a causa de toda aquela dor naquela pessoa que eu admiro tanto, que me é tão importante e de quem gosto tanto destroça-me.


Acabámos ambos a chorar compulsivamente agarrados um ao outro, eu não consegui evitar refugiar-me nos seus braços, e eu não me queria vir embora. Mais uma vez, senti que podia ficar ali, quieta, sem fazer nada e estaria segura, sentir-me-ia bem e tudo faria sentido - só não sei durante quanto tempo, se no minuto a seguir já não quereria estar com ele, se na semana seguinte perceberia que afinal não é boa ideia...enfim, uma imensidão de medos e incertezas e dúvidas e tudo mais que me assombra. Mas estaria a magoá-lo e isso é tudo o que eu não quero.

"E por favor acalma o teu espírito. Tu não precisas de ser mais ou menos do que és, tu és maravilhosa"

Eu gostava muito de querer estar com ele e saber que era algo com um mínimo de futuro à vista. Olhar para uma relação entre nós de namoro e de amor assumidos e "oficializados" (que nunca consegui por ter medo e estar perdida - e isso não mudou) mas tenho a consciência que não o consigo imaginar para mim, neste momento, com absolutamente nenhum homem. E se haveria homem que me faria querer isso seria este porque me fascina desde que o conheci e foi ganhando assim o meu coração. 
Depois desta minha decisão e desta dor que lhe incuti sei que, se algum dia voltarmos a estar juntos, já não será da mesma forma porque esta marca, esta cicatriz, vai estar sempre aqui entre nós dois.

6 comentários:

  1. se não estás preparada para uma relação tomaste a decisão correcta. Precisas agora do teu espaço para te encontrares e esclarecerer aquilo que queres e não queres.

    bjokas

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  2. Obrigada. Acho mesmo que preciso.
    Sempre precisei na verdade mas não o consegui fazer antes de o conhecer.

    Beijo

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  3. Todos nós passamos por fases da vida é que só queremos estar sozinhas, não queremos nem ouvir falar de namorados.
    Eu acho que se gostares mesmo dele vais perceber isso e não vais querer perde-lo!
    Se calhar o que precisas é mesmo de te afastar para veres realmente o que queres. Pelo que estou a perceber do que li, sabes que ele é uma pessoa "garantida" precisavas se calhar que ele se afastasse para veres o que realmente sentes, se gostares dele vais te entregar!

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  4. Pois, se calhar é isso.
    Mas eu já sinto medo de o perder.
    Eu quis mesmo namorar (oficializar a relação) com ele mas depois fiquei assim neste estado de medo e terror quase. Sem saber explicar, sem perceber nada.
    Gosto muito dele e sinto muito a sua falta, ainda assim, mesmo continuando a vê-lo, obrigo-me a não estar com ele sempre que quero e posso porque preciso de estar só comigo. Mas sim, sinto medo dele se fartar e ir embora porque nunca conheci ninguém assim...embora eu saiba que ele está no seu pleno direito (de se querer ir embora) porque não tem nada a ver com o que eu estou a sentir, com estas dúvidas e incertezas e medos todos que trago comigo e não tem de lidar com eles se não quiser.

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  5. Só de pensar que ele se pode ir embora e eu perderei alguém tão importante e que me faz tanto bem não sei onde arranjaria forças para lutar sozinha outra vez. Mas se calhar é o que tenho de fazer, não sei, é isso que me atormenta, não saber.

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  6. Pelo que percebi, sais-te de uma relação dificil... mas não podes deixar que o medo te faça perder uma pessoa tão especial para ti.
    Não se encontra uma pessoa assim todos os dias ;)

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Muito obrigada pelas tuas palavras!