quinta-feira, 1 de maio de 2014

Jovem licenciada encontra emprego

Horário: das 9h às 19h, sendo que, se for necessário, deverá ficar até mais tarde.
Almoço: das 13h às 14h.
Salário: 485€
Tipo: recibos verdes.
Requisitos: Licenciatura e Inscrição na OA (cuja inscrição e exames deve passar e suportar os custos). Mestrado, factor preferencial.


Para chegar por volta das 9h, é necessário sair de casa pelas 8h, logo, no mínimo levantar-se às 7.30h - é enfiar qualquer coisa à pressa mas sempre formal porque esse é o dresscode do escritório, pegar nas coisas, pensar no que falta do lanche ou almoço porque ficou no frigorífico e sair a correr.
Sobe-se a rua, apanha-se o autocarro até à estação do metro, por volta de 10min. Apanha-se o primeiro metro que chegar e leva-se metade da viagem em pé, mesmo de saltos altos. Leva-se 25min, faz-se toda a linha azul (quase) e quando se sai do metro, ainda vamos a pé, mais uns 10min até lá chegar. Por vezes antes das 9h, quase sempre, já lá está e já só há previsão de sair depois das 19h. São, no mínimo, 10h por dia enfiada naquele escritório, com o dia a passar pela janela e o rabo enfiado na cadeira estragada, sem apoio de costas.
Além das 10h lá, perde-se mais ou menos 1.30h a ir e a vir. Depois de sair, faz-se todo o caminho de novo, em sentido inverso e chega-se a casa estoirado. Nunca antes das 20h30min. Quase sempre é preciso cozinhar, porque mesmo que ainda tenhamos comida para desenrascar um jantar a dois rápido, é preciso contar com o dia seguinte, mais propriamente com o ALMOÇO do dia seguinte que se tem de levar para o trabalho porque ir comer fora é completamente impensável, quer em termos económicos, quer em termos de tempo.
Depois de jantar ainda se dá ao luxo de poder sentar no sofá, recostados a ver a novela com os gatos (pobres bichos que passam o dia sozinhos em casa) para tentar abstrair-se do mundo em redor, selvagem e real lá fora. Não há capacidade para fazer mais nada. Não há! Mas quando há trabalhos da faculdade para entregar é preciso inventar capacidade para os fazer, obrigarem-se a ler o que têm pela frente e arranjarem capacidade para elaborar o que quer que seja para poder defender ou entregar aos doutores professores. 
É num instante que as horas se escapam e já passa da meia noite. Ainda temos de arrumar alguma coisa, no mínimo as coisas do jantar, e temos o lanche por fazer e preparar para poder sobreviver ao dia seguinte.
Lá se arrastam para a cama e dali a 6h já têm de se obrigar a sair da cama e voltar a repetir as proezas do dia a dia de um jovem (abençoado) licenciado no seu primeiro emprego.
E eu pergunto-me, como é que se pode ser financeiramente autónomo e independente com 485€? Mesmo sem ter filhos ou dependentes a seu cargo, uma renda na Grande Lisboa não é menos que 250/300€, as contas de água, luz e gás (sim, é impensável ter internet, TV, telefone fixo e qualquer outra mordomia porque significaria endividar-se ainda mais) rondam os 60€, mais 10€ para o telefone e 30€ para o passe já que se vai de transportes, sobram 135€. É o que fica para as extravagâncias que nos são permitidas. 135€ para comer e não deve sobrar nada. Mesmo indo a todas as promoções, aos preços mais baixos e com a alguma ajuda de amigos e familiares que sempre nos oferecem algumas coisas (graças a Deus!) que nos fazem não ter de gastar tanto dinheiro em bens alimentares. 
E se tiver de pagar uma propina, sim porque ainda se está a acabar o mestrado, ou tiver de comprar um livro ? Será 250€ para a propina, como vou comprar comida, pagar o passe ou mesmo as contas?
E não há como não estar agradecido pelo emprego que conseguimos nesta selva com o drama do desemprego.
Não sou capaz de acompanhar a matéria das aulas a que tenho faltado, não quero deixar de fazer o mestrado, até porque preciso dele e espera-me a inscrição na OA, que pressupõe pagar e muito e ainda frequência de aulas e, novamente, estudo. Preocupa-me a cada dia. Aquele é o meu objectivo afinal, a minha ambição e propósito. Mais do que me preocupar, angustia-me.
Mas é assim. Só posso estar feliz por ter o que tenho.
Acresce que não somos trabalhadores, somos "estagiários" mesmo trabalhando tanto ou mais que os outros, mesmo sendo tratados como seres inferiores e pessoas menores, mesmo não sabendo e tendo de estar em permanente pedido de ajuda a pessoas que estão quase sempre demasiado ocupadas para nos ouvirem sequer e muito menos têm paciência para nos esclarecer ou explicar claramente as coisas.
Sem falar de que, precisando de descontar para a SS, nem sei como poderá ser. Vou ter de pedir ajuda aos meus pais ao fim destes anos todos a ajudar-me também nos estudos? É triste, é tudo o que me ocorre: é mesmo muito triste.


Perdoem-me, é só um desabafo.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

"Pessoinhas"


Há pessoas mesmo mal intencionadas, que estão constantemente em sentido de alerta, com todo o seu pessimismo pronto e sempre de língua afiada, pronta a criticar com o maior desdém tudo o que os outros façam. Pessoas a quem nem lhes passa pela cabeça que não há maldade ou má intenção ou pensamento nos outros. Estas pessoas vivem absorvidas por um mundo negro e obscuro, maldoso, rodeadas de espinhos, escárnio e maldizer. São incapazes de ter um pensamento livre, puro, são. Ou pelo menos assim fazem parecer.
Estas pessoas só estão bem a espezinhar os outros para se vangloriarem, a fazer o diabo a 4 à vida dos outros, por pura diversão e prazer - que nem devem senti-los porque não devem ser sequer capazes disso.
São "pessoinhas" aquelas que fazem questão de dizer que não é assim, que não é assado mesmo àqueles que não sabem como é e têm de lhe pedir a elas as instruções para fazer as coisas. "Não pense que isto é assim, aqui toda a gente faz tudo..."
E quando outros lhe perguntam ou pedem ajuda estão sempre prontas a um "Vá ali buscar, procure e faça você" mesmo que não saibam como e, por isso, estejam a recorrer a elas. 
São pessoas que se acham o centro do mundo por razões tão ignorantes que nem vale a pena tentar mostrar-lhes o contrário. Não seriam capazes de perceber. Vivem numa bolha de ilusão e narcisismo que nem lhes permite ver com clareza o que as rodeia.
São pessoas que, infelizmente, estão por todo o lado e com quem somos, muitas vezes, mesmo que não queiramos, obrigados a conviver. Sinceramente, e apesar de já não dever ser assim, este "tipo" de pessoas chocam-me. Deixam-me verdadeiramente descrente na humanidade, dececionada e realmente desiludida com os seres humanos. Só me levam à conclusão do quão triste é existirem pessoas assim, com as quais temos de(con)viver. E depois não consigo deixar de pensar que estas pessoas constituem família, têm uma e criam filhos e, Deus me perdoe se estou a ser injusta, mas será que não estarão a criar pequenos monstrinhos iguais a eles ou ainda piores para infernizarem a vida terrestre a qualquer um?!?

Bem vinda Primavera!

Já não era sem tempo!

Wrong mixed feelings


Passado tanto tempo...mas tanto, tanto tempo e passado tanto mais do que tempo também...não posso dizer que me é indiferente. Como poderia quando se ama alguém daquela maneira? Pela primeira vez, com tanta ingenuidade, com tanta pureza, com tanta força. Não pode nunca deixar de dar um friozinho na barriga. Ou não tivesse sido amor.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Foi a nossa Páscoa

Sim, este ano, passámos, pela primeira vez, a Páscoa juntos. Eu acabei por não ter oportunidade de ir a casa (confesso que não me esforcei muito por isso porque queria estar com ele) e foi, depois do Fim de Ano, a nossa primeira época festiva passada lado a lado, fisicamente, finalmente. 
O fim de semana prolongado soube-nos que nem ginjas e nós fizemos questão de aproveitá-lo o mais que pudemos. 

Apesar de não ter sido fácil de gerir a visita a um lado (o meu) e a outro (o dele), conseguimos articular tudo e estivemos com a minha mãe (a família que tenho cá) e com os pais e irmã dele (quase única família que lhe conheço). Esforços e cedências de ambas as partes e conseguimos um Domingo de Páscoa "tranquilo". Mesmo com o jogo que decidiu o título a não se deixar passar despercebido. Onde é que já se viu um jogo de futebol decisivo no Domingo de Páscoa pah?!
O mais importante, é claro, foi estarmos juntos. E será com certeza relembrada sempre como especial por isso mesmo. A nossa primeira Páscoa juntos.
Pequeno almoço tardiu e reforçado em casa da minha mãe e o resto do dia na casa dos pais dele.

Na quinta tive, felizmente, a tarde livre e, depois de almoçarmos com a minha mãe (recém chegada da terrinha onde esteve uma semana com a minha avó/família), fomos tratar de uns assuntos pendentes com os quais ele se tinha comprometido, lá do grupo dele. Basicamente, servi de motorista para os meninos, no meio de um trânsito infernal da baixa lisboeta, debaixo de um calor dos diabos, enfiada no carro. Estava mesmo a ver-me a passar mal. Lá se sofreu e se despacharam.
Com ainda algumas horas de luz pela frente e um tempo agradável, aceitámos o desafio e fomos até aos jardins de Belém. Dois rapazes e uma rapariga. Uma guitarra, um bandolim, uma caixa aberta no chão. E fomos cantando...o que nos lembrávamos timidamente. Ainda lá nos puseram 3€ e estávamos num sítio onde não passava quase ninguém. Valeu pelo prazer da música, da companhia e pela diversão. 
Quando começou a arrefecer decidimos voltar a casa.
Mas ainda voltámos a sair para dar um passeio em Sintra à noite. Recusámo-nos a desaproveitar um fim de tarde/noite livre, com perspectiva de fim de semana grande.

Sexta pudemos dormir mais um bocadinho e soube bem reforçar energias. Mas como o organismo já vai estando habituado, não conseguimos dormir até muito tarde. Foi dia de cabeleireiro caseiro para ele - e nisso perde-se sempre algum tempo. Levantámo-nos com a intenção de arrumar e limpar a casa mas, depois de comermos, tomarmos banho e vestirmo-nos, decidimos sair e aproveitar o dia lá fora. A limpeza ficou suspensa, achámos que merecíamos.

Fizemos um lanche apressado e improvisado e saímos sem saber muito bem para onde. Acabámos na margem sul, num sítio onde ele tinha ido com o trabalho, à beira da praia fluvial, na Moita. Por lá comemos e estivemos um bocadinho.
No regresso fomos ao FREEPORT e até trouxemos umas coisas engraçadas da nossa loja de eleição lá, onde se fazem grandes e muito úteis achados: o continente outlet. 
De regresso à capital, fomos ainda ao Centro Comercial devolver uma compra que tínhamos feito e, finalmente em casa, cozinhámos e jantámos.
Preparou-se a comida para o dia seguinte todo fora e já nos deitámos tarde.

No Sábado fomos conhecer o Parque dos Monges em Alcobaça, depois a vila de Alcobaça e ainda passámos por Peniche, de regresso a casa... depois conto como foi.

E Domingo foi dividido entre a minha mãe (minha única família cá) e a família dele.



Que a vossa Páscoa tenha sido bem docinha!

Estágio - mais uma aventura

Pois é, no dia 17 de Março comecei a estagiar num escritório de pequena/ média dimensão na Baixa de Lisboa. Todo um mundo novo, uma nova rotina, caras novas, tarefas diferentes e muito maior responsabilidade. Um código de comportamento e até de vestuário, toda uma organização à qual tive de me adaptar, a conjugação necessária com algumas coisas da faculdade e vida pessoal (embora muito poucas porque com o tempo que sobra muito pouco se consegue fazer). Fui muito bem recebida, ajudaram-me e aprendi imenso. Tive sorte porque fiz muita coisa e diversificada. 


Mas para lá estar, sendo o horário de trabalho das 9h às 19h, tinha de faltar à maior parte das aulas. Ao início não me pareceu assim tão mau, apesar de ter passado um muito mau bocado com a entrega de trabalhos da faculdade e apresentações, defesas e tudo mais a coincidir com a 1ª/2ª semana de trabalho, e achei realmente que era possível conciliar tudo mas há medida que o tempo passava, cada vez mais me viu / vejo a ficar para trás na faculdade. O mestrado está a meio, tem de ser feito, é o meu objetivo aqui e agora. Tenho faltado às aulas, muita matéria por ver sozinha acumulada e uma catrefada de trabalhos por fazer para apresentar já nos primeiros dias de Maio. O volume de trabalho no escritório, ainda para mais, começou a crescer a olhos vistos e a falta de pessoal para dar resposta a tudo o que lá se precisa é mais que evidente. Não está fácil conseguir orientar-me.


Além de que me custa muito não estar a 100% em  nenhum sítio, nem na faculdade, nem no trabalho. 

Depois de dar voltas e voltas à cabeça, pensar e repensar, cheguei à única decisão que podia: a prioridade é o mestrado e o trabalho/estágio tem de ficar para segundo plano e, portanto, em suspenso neste momento.

Apesar da decisão já estar tomada há algum tempo, muita coisa ainda era dúbia na minha cabeça e toldava a minha determinação. Foi a muito custo que arranjei coragem para falar do assunto ao chefe (esse "bicho papão") e a resposta que tive não podia ser mais surpreendente. Apanhou-me completamente desprevenida e disse-me que trouxesse o horário da faculdade que se faltava assim tão pouco tempo haviam de arranjar maneira de eu continuar a trabalhar e conseguir fazer o estágio. Porque estavam a gostar do meu trabalho, pensavam já em que eu fizesse ali o estágio da OA e era "um desperdício" eu ir-me embora.

Isto quando o apanhei, por pouco, à saída do escritório, na Quarta feira passada. Ora, na Quinta o sr não veio e na Sexta ninguém trabalhou portanto só hoje é que voltámos a falar.
Tudo isto fez com que eu passasse o fim de semana prolongado em verdadeira angústia e sofrimento, sem saber muito bem o que fazer, sabendo, ao mesmo tempo, perfeitamente o que precisava de fazer.

Por um lado tenho o mestrado para acabar, por outro, uma boa oportunidade de trabalho na minha área, num escritório do qual gosto, a fazer aquilo que me entusiasma, com uma equipa que me recebeu muito bem,...enfim! Um tremendo dilema, uma verdadeira guerra armada de indecisão dentro de mim, da minha cabeça.


Eu já devia ter aprendido com a minha experiência no Restaurante o semestre passado mas desta vez era na minha área e, depois de uma entrevista muito peculiar, com alguém com quem senti logo uma empatia fora do vulgar, que me compreendeu sem me conhecer de lado nenhum ou sequer me ter visto uma vez na vida...com uma proposta de trabalho para começar na semana a seguir, dali a poucos dias, quando eu estava numa fase de muita dúvida e medo de não ser capaz de arranjar trabalho na minha área... Agora sou capaz de olhar para o que aconteceu com algum distanciamento e percebo a minha atitude, porque muita coisa contribuiu para ela e a minha crença de que era possível. Afinal, se não tivesse tentado nunca saberia. Por outro lado, não fazia ideia do que realmente me esperava e, mais uma vez, não dei importância/"ouvidos" à minha humanidade porque, afinal, não sou nenhum ser super poderoso, qual super heroína.


Assim, só hoje (segunda) consegui voltar a falar, desta vez, a sós e calmamente (dentro dos possíveis que eu não consegui evitar ficar uma verdadeira pilha de nervos), com o chefe.
Mostrei-lhe o meu horário, disse lhe que não estava em causa o gostar o não do que ali estava a fazer, que tinha sido muito bem recebida, que estava a gostar imenso, que tinha aprendido tanta coisa, etc. mas que neste momento precisava de me concentrar a 200% no mestrado porque estava a ver-me deixar ficar para trás aquilo que é, na verdade, o meu objetivo neste momento. Que o que me preocupava era ainda atrasar mais a parte lectiva uma vez que posso não ser capaz de fazer as cadeiras todas este semestre, já que, cerca de um mes e meio de aulas já perdi, sendo esta uma época crucial de avaliações e aplicação e tendo eu tudo por estudar e fazer... Ele ouvi atentamente, fez algumas perguntas e no final disse-me que eu tinha primeiro, efectivamente, de despachar as aulas e que em Junho/Julho que foi quando eu lhe disse que terminariam os exames, lhe voltasse a ligar porque ambos (ele e o meu "orientador") estavam a gostar do meu trabalho, já tinham reconhecido o grande potencial que tenho, que eu sou muito inteligente e trabalhadora (que tenho talento) e que, por tudo isso, gostavam muito de me receber para o Estágio da OA.

Entre umas e outras perguntas e respostas, numa conversa do mais franca e honesta possível, completamente transparente, penso e espero que tenha compreendido a minha posição, as minhas intenções e mais um bocadinho daquilo que sou, do meu "pano de fundo" e de mim.


Desejou-me sorte para o mestrado e disse-me que a porta ficava aberta até Junho/Julho, altura em que esperariam o meu contacto. Aconselhou-me a não desperdiçar oportunidades, nem o meu potencial/talento. Eu só pude agradecer e sair daquela sala verdadeiramente aliviada.


Agora tenho de despachar tudo o que tenho na secretária para então me poder ir embora e dedicar totalmente às aulas. Tenho de me deixar de mariquices. Não há tempo para cansaços. Tenho de aproveitar o máximo que possa para descansar e trabalhar muito, empenhar-me mesmo na faculdade. Porque agora tenho outro horizonte e novas perspectivas.


No final de contas só posso estar contente por ter tido a oportunidade que tive e por ter aprendido tanto, terem gostado de mim e ter feito novos contactos e até possíveis amizades, bem como, deixado espaço para uma colaboração futura em breve.


Obrigada Senhor aí em cima que olhas por mim (nós)!

Mais um regresso e o Verão a chegar

Cá estou eu de volta passado quase um mês desde a última publicação. É o reflexo do que têm sido as minhas últimas semanas! Tive das semana...