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sábado, 21 de julho de 2012

Perdido no fundo da gaveta

20.30h 12.02.11

Voltei a sentir aquela sensação. A que os anos me fizeram esquecer, aquela de que já nem me lembrava.
O medo, receio de que chegasse a casa e a expectativa de "o que será desta vez?!" porque certo seria de que voltaria a acontecer, repetidamente, todos os dias como um ritual sagrado, regressava a casa depois de um dia inteiro de trabalho e descarregava tudo em cima de nós. Culpando-nos de sermos a causa de todos os seus maiores males e problemas, implicando, gritando, ralhando por tudo e por nada, por isto ou por aquilo, por ter feito ou por não ter.
Por mais que me esforçasse ao longo do tempo, nunca nada foi suficiente bom, nunca bastou, por mais que fizesse, para o evitar. Se tinha feito 100 coisas, mais 1001 poderiam ter sido feitas e ficaram por fazer. Mais 1001 coisas que eu não pensei em fazer, que não me lembrei, que foi preciso dizer-me que tinha de fazer. Esquecia-se, nem via as 100 coisas que tinha feito, o que tinha tentado, o quanto me esforcei.
Hoje voltei a sentir tudo outra vez, parece que o tempo recuou. Não houve gritos nem longos mas, hoje em dia, todas as palavras, cada palavra é mais dura, tem mais força e dói mais que uma bofetada. Receei que voltasse tudo atrás. Mas naquela altura eu não pensava que era por não me amar, na época eu não punha isso em causa porque não tinha ouvido tudo o que hoje em dia, a cada dia, faz questão de me relembrar, de jogar-me à cara e insistir no quão desilusão e decepção sou, no facto de eu não valer nada, de não ser capaz de nada, de ser a pior criatura à face da terra.
Tal como antes, também agora me falta a coragem para lhe falar e tentar explicar o que passo e penso, o meu lado, dizer-lhe que a compreendo e percebo mas que não tem de agir assim e que a quero ajudar mas que também preciso da ajuda dela.
Há algum tempo deixei de falar porque sei que errei mas não preciso de ser mais espezinhada, mais martirizada por isso, só precisava de apoio e ajuda, alguma compreensão. Quando tentei explicar e fazer ver os meus pontos de vista antes não serviu de mais nada alem de me deixar frustrada e a si com raiva de mim por tudo o que disse sem maldade. Aproveitou para me atirar tudo de volta assim que teve oportunidade porque eu disse isto e porque penso aquilo dela e porque não dou valor e porque sou uma ingrata.

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