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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Coragem, é sexta-feira!


Na quarta-feira voltei a ter de falar com o chefe e dar-lhe a conhecer a minha intenção de deixar o escritório e dedicar-me à tese em primeiro lugar (para, mais uma vez, dar prioridade e despachar o mestrado que é um investimento já a mais de meio) - se bem se lembram aconteceu praticamente o mesmo da outra vez que cá estive a trabalhar

Trabalhar devia fazer-me bem mas desde que voltei cá o resultado foi o totalmente inverso: reflecte-se no (mau) humor, na (in)disponibilidade, na (falta) de motivação e até se reflectiu na minha saúde. E isto eu não posso permitir, foi o ponto de toque para eu ter a certeza que alguma coisa tinha de mudar. Afecta-me psicologicamente e emocionalmente, mexe comigo ao nível do sistema nervoso, está a ser demais.



Primeiro que me decidisse dei voltas e voltas à cabeça, tentei pôr as coisas em perspectiva mas houve um dia, no início desta semana, em que me apercebi que, neste momento, para mim, é a única solução possível. Que não posso pôr tudo em risco, principalmente a minha preciosa sanidade mental, e querer dar um passo maior que a perna. Numa primeira fase, ter aulas na OA, fazer a tese e estar a trabalhar simultaneamente é impossível para mim.

Eu sei que muita gente o faz, eu mesma achei que seria capaz, mas a verdade é que ainda estou a trabalhar desde que voltei de férias e não fiz absolutamente NADA para a tese. Porque pura e simplesmente chego exausta a casa, já tarde e não tenho cabeça para olhar para nada, só me arrasto. Ao fim de semana quero é fugir daqui de tão cansada de tudo que estou. De segunda a sexta: casa, trabalho, trabalho, casa. Ao fim de semana, com a casa nova, temos muito com que nos entreter e sem dinheiro e com a consciência pesada (do trabalho que não faço na tese) acabo por nem dar pelos dois dias de descanso em casa.



Dizem-me que é uma questão de método, que se nos obrigarmos a trabalhar X horas por dia na tese, por muito pouco que seja, mas se formos rigorosos, conseguimos fazê-la. Eu acredito que sim, mas não desta forma. Não é tendo as aulas para fazer e, mesmo que mais tarde, estudar para os exames. Nem tendo a obrigação de ir ao escritório e honrar o (pouco) que nos pagam.



O chefe foi muito generoso. Numa longa conversa ofereceu-se para nos ajudar a pagar os encargos que temos com a OA (depois de lhe dizer clara e expressamente que não os podia suportar) e propôs uma redução de horário, sendo certo que às aulas íamos porque estávamos dispensadas para isso. Para mim, aquilo pareceu-me ouro sobre azul mas só depois fui chamada à razão.


Os favores pagam-se, cobram-se. Ainda para mais quando este trabalho não me satisfaz enquanto profissional e não pretendo fazer disto (da área do direito que aqui se trabalha) carreira. Além do mais, o peso na consciência ia continuar, sei que me sentiria melindrada e em dívida para com quem se predispora ajudar-me nesta primeira fase. Também sei que, não querendo tirar o mérito nem a generosidade à atitude do chefe, este é o negócio dele e quando for necessário cobrar o trabalho que houver para fazer ele o fará, independentemente do que tenha prometido. Chegará o dia em que as coisas não serão como parecem, que a ajuda será "cobrada" e em que não me sentirei à vontade, ou melhor, livre, para fazer o que eu achar melhor para mim (por exemplo, ir embora, um dia mais tarde). 


Preciso, neste momento, de dar um passo de cada vez. Preocupar-me e dedicar-me com cada coisa a seu tempo. De outra forma é humanamente impossível sobreviver a esta avalanche. 


Assim, apesar de tudo o que nos disse, de todos os conselhos de que esta é uma péssima escolha, que não deveríamos adiar a inscrição na OA, que ficaríamos velhas, que conseguimos fazer tudo, que teremos a sua ajuda e que estar a fazer tudo ao mesmo tempo é uma grande mais valia... Apesar de não ter sido nada fácil pois implica abdicar do único rendimento que poderíamos ter neste momento para tentar amenizar as despesas absurdas que nos esperam (aliás, esse foi o principal motivo para termos decidido trabalhar) e também nos obriga a (arranjar coragem para) admitir que é difícil e praticamente impossível fazê-lo, que não somos capazes e que é muito complicado estar na nossa situação...bem como deixar ir uma oportunidade de trabalho na área, porque não deixa de o ser e outra das principais razões para termos querido trabalhar nesta fase foi tentarmos manter a nossa sanidade mental, não nos dedicando somente à tese, porque trabalhar seria para nós, neste primeiro momento, um exercício saudável. O que acabou por se revelar paradoxo uma vez que só está a dar connosco em doidas de medo (aterrorizadas!), preocupação e ansiedade por tudo o que estamos a por em risco e pelo investimento do Mestrado ser posto em causa.

A verdade é que, feitas as contas, no essencial, todo o facilitismo que nos foi proposto, não mudaria, no essencial o principal problema que temos agora: a falta de tempo. Claro que faz diferença, daí termos saído daquela conversa desarmadas e com necessidade de repensar e reponderar tudo outra vez, mas não faz a diferença efectivamente necessária. 

A minha decisão (e da minha colega de sala, também colega de faculdade, por isso por vezes falo no plural) manteve-se. Vamos deixar o escritório.

Ontem ele esteve fora mas hoje temos de lhe dar a resposta definitiva. Só espero que a conversa seja mais curta...e fácil, já agora (que eu na quarta, a determinada altura da conversa, desatei num pranto incontrolável à frente dos chefes, shame on me).


Coragem, é sexta-feira!

6 comentários:

  1. Nem sabes o quanto este teu texto veio de acordo com o meu dia. Hoje devia estar nas aulas do mestrado, mas como desisti, estava aqui a martirizar me.
    Eu desisti do Mestrado logo no início, porque vi, claramente, que a longo prazo me ia acontecer o mesmo que a ti. E ao contrário de ti, o meu emprego é a prioridade, para melhorar nele decidi tirar o Mestrado. Cedo me dei conta que só ia piorar porque a disponibilidade e paciência iam ficar a zero.
    No teu caso acho que fizeste bem. Esses favores acabam por se pagar bem caros, sim! Boa sorte.

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    1. Obrigada pela partilha, eu sei e espero que um dia a minha prioridade seja o trabalho e, por isso mesmo, acho que se não me "obrigar" agora a estudar (que é uma altura mais "propícia" embora não tenha já muita vontade, daí ter procurado trabalho tão cedo), muito dificilmente terei "coragem" para voltar a fazê-lo mais tarde.
      É preciso ser corajoso para voltar a estudar depois de algum tempo, porque já criaste a tua rotina e porque as prioridades mudam forçosamente...

      Obrigada, beijinhos

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  2. Eu não estava a trabalhar enquanto estava a fazer a minha tese, mas acredito que se estivesse me teria sido impossível fazê-la a tempo. E acredito que após um dia de trabalho e aulas só te apeteça descansar e não olhar para tese, talvez a melhor solução seja mesmo desistires do trabalho e dedicares-te só a ela. Quanto à ordem, eu também me poderia inscrever, mas na ordem dos psicólogos, mas penso que isso não me irá trazer qualquer benefício, muito pelo contrário, que todos os anos teria de pagar uma quota para nada, não são eles que me arranjam trabalho!

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    1. No caso da OA é obrigatório estar inscrito para poder advogar, ir a tribunal, etc. Então é completamente diferente, acaba por ser obrigatório fazer parte da OA e frequentar os seus cursos e exames (ridículos), mesmo depois de uma licenciatura e muitas vezes de um mestrado -.-
      Neste momento era mesmo impossível fazer tudo, a tese ficaria para segundo plano e eu sinto que, se não a fizer agora, já não a farei. E isso não quero!

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  3. Realmente é muito difícil decidir.. mas avalia bem se essa ajuda não é realmente válida e de coração .. às vezes ficamos surpreendidos !
    Mas decide o melhor para ti, claro ...
    Boa sorte *

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    1. Fui falar com o chefe na sexta para lhe comunicar a decisão definitiva de ir embora e a única coisa que ele disse foi, muito calmamente, "é pacífico"! Pareceu-me quase que até ficou aliviado por não ter aceite, uma vez que implicaria esforçar-se e isso é coisa que ele não deve querer para ele -.-
      Não lhe dar trabalho ou incomodar pareceu-me ter sido um grande alívio para ele.
      Acredito (quero acreditar) que foi sincero no que ofereceu mas não pensou bem, foi uma oferta no calor da conversa, que só depois de refletir se apercebeu ou deu conta que implica muita coisa da sua parte. E talvez não lhe interessasse ou conviesse...NADA.
      Obrigada Miss :) beijinhos

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