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quinta-feira, 21 de maio de 2015

Um caco

A minha mãe está um caco. Já há muito tempo que se arrasta pelos dias, que vai "sobrevivendo", sem vontade, sem motivos, sem força nem foco. Vezes demais miserável - como é triste utilizar esta palavra, mas é caracterizadora da sua condição emocional actual. Completamente perdida, sem norte, sem saber o que fazer, ora virando para um lado, ora para outro... e eu já não posso mais pensar no que fazer para a ajudar. A conclusão a que chego é a de que não posso mais ajudar e neste momento, na fase tão avançada em que ela está só depende dela sair do estado em que está.
Está nas mãos dela decidir se quer continuar a "cavar" o buraco onde se tem subterrado ou se, pelo contrário, dará tudo por tudo para escalar as paredes desse poço onde teima deixar-se ficar, imóvel.
Felizmente ela já começou, apesar de tarde, depois de mesmo muita insistência e de guerra armada, a procurar ajuda. Embora continue muito perdida e sem sequer saber o que faz, ora virando para um lado, ora para outro, conforme a corrente, qual barco à deriva, o primeiro passo era esse - procurar ajuda finalmente! Mas o caminho é longo e não será fácil, mas tem de ser percorrido. Mais ninguém o pode fazer por ela e tem de ser ela a ter vontade e querê-lo...o que também não tem sido tarefa fácil.
É triste, sinto-me impotente e não consigo não deixar de estar preocupada e angustiada constantemente, além do que as suas atitudes já influenciam e afectam muito a minha vida também, mexem comigo e magoam muito. Ela consegue ser muito cruel, ingrata e não ter a mínima noção. Exige tudo e sempre mais e mais de mim mas não tem capacidade de parar aquele rodopio esquizofrénico em que ela mesma vive, dentro da sua cabeça, e ter consciência do mal que provoca nos outros. Dá-me raiva muitas vezes, tenho vontade de desaparecer, de fugir dela - ainda ontem tive uma crise de choro de tanta frustração e sentimento de incapacidade que ela me provoca - mas ela é minha mãe e eu tenho de aguentar.


6 comentários:

  1. Bem sei como te sentes,
    Infelizmente tenho dois casos bastante próximos, um ainda está nessa fase (o meu sogro, mas que felizmente parece querer agora levantar a cabeça), e o outro já passou, mas ainda deixa marcas (a minha mãe, que apesar de estar bem melhor ainda tem alturas em que vai muito abaixo).
    Nós só podemos fazer uma coisa, tentar acompanhar a subida, e estar lá quando eles acham que precisam, e sobretudo quando acham que não precisam...

    Tens que ser muito forte, mas tudo se vai resolver...

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    1. Tens toda a razão e é isso que eu tenho tentado fazer embora muitas vezes seja realmente difícil porque é desgastante, física e psicologicamente. Mas é essencial estar sempre a acompanhar embora nós também tenhamos a nossa vida. Beijinhos e obrigada pela força e pela tua própria partilha, desejo que tudo se resolva também com os teus!

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  2. Deve ser muito complicado... Um beijinho e força! Espero que tudo melhore.

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  3. Olá,

    tenho acompanhado os teus posts e deixa-me perguntar, a tua mãe está com depressão?
    Sabes, sei do que falas, porque a minha mãe já esteve assi. Felizmente está melhor, e acredita o caminho é dificil, depende muito de quem está doente, mas também depende muito do apoio que se tem. E acredita que todo o apoio e ajuda que se puder dar ajuda e muito na recuperação..
    É dificil ver assim uma pessoa, custa mas a familia tem que puxar muito pelo doente.

    Um abraço.

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    1. Olá Catarina. Sim, a minha mãe tem uma bruta depressão. Há já alguns anos que ela carrega isto com muitos altos e baixos e durante tempo demais tentou camuflá-la (pôs paninhos por cima para ver se passava despercebido mas estas coisas só se tornam gigantes quando as tentamos ignorar). Infelizmente ela tem estado muito pior ultimamente e tem "batido no fundo" mas felizmente já se deu conta e convenceu de que está numa situação de necessidade de ajuda especializada. Eu tenho tentado ao máximo estar presente mas tudo tem limites e não é nada fácil. Obrigada :) beijinhos

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Muito obrigada pelas tuas palavras!