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sábado, 29 de janeiro de 2011

Sobre (mim) nós.



Acho que já nem sou capaz de me referir a "mim". É como se tivesse esquecido o EU e tivesse sempre vivido o NÓS que é o mais provável... Não consigo falar de mim porque não sei quem ele é, não me conheço já. É como se ao espelho o meu reflexo se apresentasse desfocado, o EU não é claro, nítido para mim. Não me reconheço a mim mesma, não sei sequer quem sou de verdade.

Estás a menos de 10min de distância de mim, estás "mesmo aqui ao lado". Já há muito tempo não era assim. E há muito tempo o meu pensamento não estava tão intensamente em ti, em nós. Quando nos separam quase 5 longas horas parece que não custa tanto, parece que me convenço de que não te quero, de que não sinto tanto, de que posso viver sem ti. Não custa tanto. Estes dias tens estado permanentemente na minha cabeça, quase tanto como sempre em meu coração. Não sei o que é pior, o que é mais fácil ou difícil, o que é melhor, o mais acertado. O que sei é que quando estás lá mais longe eu quero o mesmo que quando estás perto: Ser feliz! Mas sei que, quer de uma forma, quer de outra, não o sou. E já não o sou há algum tempo, não sei precisar mas já não me lembro de o ser. No entanto, a tua presença, a tua companhia faz-me sorrir, consegue divertir-me e fazer-me sentir menos mal embora, por outro lado, me faça passar os dias atormentada pelo desconforto que trazes à minha vida e pela incerteza, pela dor que me provoca o querer manter-me afastada, separados, sem ti.
Eu quero estar só e já to disse. Preciso encontrar o meu "ser" que perdi algures entre a dor que me provocaste. Preciso sarar e curar as feridas que me ofereceste nos tempos de "distância" e afastamento psicológico, nos quais não deste importância, não te preocupaste ou sequer me quiseste ouvir, mesmo eu repetindo vezes e vezes sem conta, mesmo pedindo, suplicando atenção. Tens de me deixar reconstruir e viver longe de ti e de nós. 
Contra esta vontade de querer estar só e ter-te longe de mim e da minha vida, tenho o amor que sinto por ti, que não pára de constantemente me relembrar a força que tem, o quão constitutivo de mim é.
Apesar de tudo o que me fizeste e fazes sofrer, eu, no fundo, sei do que és capaz,  que podes mesmo mudar e voltar a ser a pessoa por quem me apaixonei, que consegues cumprir as promessas que me fazes, que serás capaz de me fazer querer voltar a estar contigo... eu quero mas o medo, a mágoa e a dor que moram comigo agora são maiores e fazem-me até recear estar perto de ti. Porquê? Porque te amo. Mais que tudo, como nunca amei nem irei amar ninguém e tu também, amas-me e fazes-me sentir como nunca ninguém fez nem fará certamente. Eu dei-te e quis tudo contigo e só contigo mas tu desiludiste-me de tal forma que me fizeste desprezar tudo isso e agora não sou capaz de dizer que o quero ou de o querer. Porque me decepcionaste, deixaste-me ficar mal por ter agido como agi para contigo e para connosco, para com o "nós".
Eu sei que serei sempre tua. 
Mas agora sei também que preciso de estar só pois já nem me reconheço a mim mesma e não sei se tudo o que fiz, a forma como agi em relação a ti e a nós não foi a maior borrada da minha existência, não sei se invalidou os meus princípios, não sei de nada neste momento. E não consigo suportar isso.
Não posso viver mais como estava porque nem era vida. Se o que tenho longe de ti é vida? Não sei, mas farei de tudo para que seja. Porque primeiro tenho de estar eu, apesar de tudo, e depois poderá haver lugar para um nós. Só depois de eu estar bem poderei pensar em outra pessoa ou em mais alguma coisa.
Eu preciso de me reencontrar. De me redefinir. Porque me perdi por entre o nós. E quando as coisas deram errado eu nem tinha como fazer ouvir a minha voz já que nem eu a conseguia fazer sair...

Mas amo-te e amar-te-ei.
Disso eu sei. 
Mas tenho de estar só e viver só comigo mesma, sem ti.
Disso tenho a certeza, porque sinto que o preciso.


No entanto, morro de medo de estar a cometer a maior estupidez da minha vida. Mas será assim. Porque é o que me diz a minha cabeça para fazer agora...é a única solução que me aponta.

E terei de o conseguir !

2 comentários:

  1. não sei que te dizer porque acho que tu já sabes tudo e o teu texto é bastante claro. Já me encontrei nessa situaçao mais vezes do que desejava e até hoje provavelmente continuo. custa, doi, fica sempre a incerteza se é realmente melhor assim,sofrer tanto por nao se ter qem se ama. Mas se tomaste essas decisao e pretendes mante-la, entao força,*

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  2. Obrigada querida! Não sei se será o correcto mas é a única opção que a vida e as circunstancias me mostram. :s

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Muito obrigada pelas tuas palavras!