quinta-feira, 24 de maio de 2018

Desafios e Sonhos

É curioso aperceber-mo-nos que a nossa disponibilidade financeira tem muita influência na forma como encaramos as coisas - se formos pessoas minimamente responsáveis. Agora que temos ambos salário, já não nos privamos de tanta coisa como há dois anos atrás mas, ao mesmo tempo, tentamos sempre fazer um exercício de contrabalanço ponderando "se antes conseguíamos viver gastando X, por que é que agora não havemos de conseguir viver gasto Y"? Ou seja, não quer dizer que se gaste apenas o "X" que antes se gastava, porque isso é sempre difícil, afinal somos seres em constante evolução e desenvolvimento e só o facto de termos de trabalhar acarreta determinadas despesas que antes disso não tínhamos - assim de repente consigo lembrar-me das deslocações por exemplo. Mas também não temos, só porque já temos possibilidade de o fazer, de gastar "Z" (que equivaleria a todo o montante que temos disponível), podemos perfeitamente encontrar um meio-termo, um equilíbrio que vá ao encontro das nossas ambições, metas e objectivos. Daí ter referido que em vez de gastar X que era o mínimo dos mínimos indispensável à sobrevivência e gastar Z que seria tudo o que temos possibilidade de gastar (ex.: todo o nosso ordenado), podemos decidir gastar Y que seria um pouco mais do que o mínimo - porque precisaremos dada a evolução de vida e porque merecemos - mas menos do que o máximo - se houver essa possibilidade.


Eu sei bem - muito bem - o que custa poupar. Não temos pais que possam ajudar-me, nem padrinhos, nem nada. Não temos ordenados por aí além, temos de pagar nós todas as nossas despesas, não temos casa própria, não temos nada "grátis" e tudo custa dinheiro. A vida está cara mas com muito foco e dedicação, tudo é possível. Nós casámos (igreja, registo e festa), pagando nós o nosso casamento, dentro das nossas possibilidades, quando eu não tinha ordenado e só o homem trabalhava. E foi possível sabem como? Com adequação do que se deseja ao que se pode, com muita contenção, com redução máxima de despesas e com recurso às poupanças de anos. Casar, para nós não foi só um dia único, a celebração do nosso amor e uma festa bonita, casar, para nós foi um grande desafio, uma conquista conjunta, um processo e uma construção partilhados que no final valeram cada esforço. Foi uma aprendizagem e uma lição que acreditamos termos capacidade de aplicar para o resto da nossa vida. No nosso caso o casamento foi o maior desafio até agora, antes tinha sido irmos morar juntos (apesar de tudo) e se Deus quiser um dia será ter a nossa própria casa e aumentar a nossa família mas só cada um pode determinar o que pode servir de exercício ou treino para realizar um sonho, por mais que possa parecer impossível.

Para mim é muito importante lembrar-mo-nos de onde vimos, do que já passámos e do que conseguimos até agora. Olhar para trás pode ser uma grande escola quando o objectivo é nos motivarmos e respondermos à questão que não deixa de nos martelar a cabeça: "será que sou capaz?". Não é fácil, não é nada fácil e há dias/momentos em que só apetece desistir mas o esforço um dia vai compensar, só posso acreditar nisso. Para mim, essa é parte da magia do meu dia de casamento: perceber que toda a nossa luta, os nossos esforços e a nossa motivação tinham resultado em algo muito além do melhor que tínhamos sido capazes de imaginar. E tinha-mo-lo conseguido juntos. Não há maior riqueza que isso, partilhado com aqueles que nos são mais queridos.

7 comentários:

  1. Como te entendo!
    Nós também não temos pais ricos nem padrinhos nem cunhas. Ainda assim não nos podemos queixar. Vamos jantar todos os dias a casa dos meus pais, ao fim de semana nunca comemos em casa (almoçamos e jantamos no sábado com os meus pais e ao domingo almoçamos nos pais dele) e trazemos sempre alguma coisa do quintal da sogra: batatas, cebolas, ovos das galinhas dela... São pequenas coisas mas já ajudam, é menos dinheiro que se gasta. Temos gasto muito pouco dinheiro em alimentação por isso mesmo, portanto acabamos por ter ajudas nesse sentido, mas só isso. Ninguém nos paga as contas, ninguém nos dá dinheiro, nem sequer é suposto! Vivemos com o pouco que temos e tem chegado. Ainda conseguimos, só com o meu salário, poupar dinheiro para os nossos objetivos futuros. Se custa? Claro. É tudo contadinho, não sobra nada ao fim do mês, não dá para fazer aquelas compras de miminhos só porque sim, é tudo muito ponderado. Mas ver a conta crescer, apesar de tudo, é muito bom. Vem tudo do nosso esforço. Quando ele arranjar emprego, contamos continuar a viver como agora, embora com um bocadinho mais de folga para fazer uma ou outra coisa que agora não podemos. Assim conseguiremos poupar um salário quase completo. Quando chegar a hora de casar ou comprar carro, saberemos que nos saiu do bolso, sai do nosso corpo, do nosso esforço. Com estas pequenas ajudas dos pais, claro, mas sendo sempre o sacrifício maior o nosso. Depois as coisas terão outro sabor, de certeza!

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    1. Sei bem do que falas. Passámos por algo bem semelhante, em que um dos nossos pais nos ajuda com o que tem mas estamos a falar de bens alimentares mas muito de vez em quando que é quando vamos à terrinha, pois mora longe. Também é raro irmos comer a casa dos pais, acho que temos ainda menos ajuda do que aquela que relatas (e ainda bem que a tens apesar de não ser necessário é sempre uma ajuda bem-vinda, o que não é suposto é nos pagarem as contas, tal como dizes).
      Passámos por essa fase em que fomos morar juntos só com um ordenado e nada por aí além mas apesar disso tínhamos de avançar com a nossa vida, mesmo que isso implicasse uns tempos mais difíceis ou contidos.

      Não podia concordar mais. Cada objectivo por mais pequeno que seja, cada conquista nossa, por mais insignificante que possa parecer tem tanto mais valor para nós. Precisamente porque nos saiu da pele!

      Para a frente é que é caminho e só cada um sabe o que passa.*
      Obrigada pela partilha :)

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  2. é uma satisfação tão grande quando conseguimos atingir os nossos objetivos :)

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  3. Tiveste o teu grande dia à vossa imagem e muitos parabéns por não se terem deixado levar por certos luxos que não poderiam comportar. Conheço casos de pessoas que casaram a contar com as prendas e no final, o que tinham recebido não chegou para fazer face a tanta despesa com o casório.

    Felizmente, pareces-me uma pessoa terra a terra. E hoje em dia, não é fácil encontrar jovens assim.

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  4. acho muito importante que tenham adquirido essa capacidade e principalmente que tenham esse bom senso, eu nunca vivi sozinha mas sei que nos tempos que correm não é fácil, principalmente sem ajudas externas, e é de louvar as pessoas que reconhecem aquilo que fica além das suas possibilidades e não se endividam para acompanhar uma qualquer futilidade que a sociedade quer impor...
    beijinhos :) https://ratsonthemoon.blogspot.pt/

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  5. Nós temos dois anos para preparar o nosso casamento sem ajuda de ninguém, há dias que duvido muito se seremos capazes :(

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  6. Se estipularmos pequenas metas ate ao objectivo final , acredito que conseguimos , no final vai valer todo o sacrifício.

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Obrigada pelas tuas palavras!

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