quarta-feira, 23 de maio de 2018

Remuneração justa




Ora aí está uma questão tão subjectiva e, arrisco-me a dizer até, pessoal!
Nunca sentiram que estão confortáveis com o vosso salário mas, quando têm conhecimento do de outra pessoa começam a não o achar assim tão justo?!
Não é que seja possível comparar tão linearmente assim as coisas. Cada qual na sua função, integrada ou não num determinado organismo, com o seu peso próprio e todos com o seu valor. Isso nem se põe em causa!
A verdade é que cada um é como é, tem as suas preferências, gastos e despesas. E à partida adequará o seu estilo de vida à sua capacidade financeira. Eu não sou excepção. Se hoje, que tenho um salário, atribuo um determinado peso ou importância a um valor, há um ano e meio atrás, quando somente o G. trabalhava, atribuía um completamente diferente. Essa mudança de "abordagem" eu sinto-a imenso! Lembro-me frequentemente de quando estávamos a organizar o nosso casamento e - não se trata de parecer exagerado ou não o preço - tudo parecia custar muito mais do que devia. Hoje sei que a minha perspectiva mudou porque se nessa altura eu achava 20€ demasiado caro para um par de sapatos, hoje já não sinto o mesmo. Ou melhor, se nessa altura, gastar 20€ só de uma vez me custava imenso, hoje já não é bem assim.

Nunca sentiram que - nunca colocando as pessoas ou a sua importância em causa! - aquela pessoa, para o que faz é muito mais bem paga do que outra? Nunca se compararam ao colega do lado ou ao amigo próximo. Eu sei que não é saudável levar as comparações à risca e nem é possível na maior parte dos casos mas acredito que as possibilidades de comparação que nos surgem também servem para nos fazer adequar as nossas expectativas quanto à nossa realidade. Isto é, se calhar até temos expectativas muito modestas, não somos ambiciosos e deixamo-nos acomodar com o que temos. Ou então, pelo contrário, temos as nossas expectativas tão altas que não se adequam minimamente ao que é justo, adequado ou possível...sem consciência do desfasamento.

8 comentários:

  1. Tens razão, acabamos sempre por ganhar pouco pois adaptamos as despesas em função do salário :)

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  2. Eu não achava que ganhava mal para o que faço, até entender que todos os meus colegas de trabalho ganhavam mais. Tem um, então, que não suporto sequer a diferença. Ele tem o tipo de trabalho em que pode simplesmente passar semanas sem ter nada que fazer, simplesmente está em casa à espera que o chamem, e ganha mais do dobro do que eu ganho. Fui aumentada em Janeiro mas acho que merecia mais, tendo em conta a qualidade e quantidade do meu trabalho, que toda a gente elogia e valoriza. Para ganhar a miséria que ganho. Enfim.

    Quanto a atribuirmos diferentes valores às coisas, também entendo. Como só eu estou a ganhar agora, o dinheiro é todo contadinho e 20€ aqui ou ali parece sempre imenso dinheiro. Quando ganhava menos mas não tinha despesas e podia gastar tudo o que me apetecesse, se quisesse, já não achava as coisas tão caras... É mesmo uma questão de perspetiva, que muda conforme as fases da vida.

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  3. Há dias soube que uma colega minha, mesmas funções mas com horario mais reduzido que o meu (Contratualmente) e com mais anos de serviço, ganha (de base) perto do dobro do que eu ganho com todos os subsidios que me calham ao fim do mês. Se acho justo? Não... os anos de serviço, por si só, não poderia justificar tal diferença.

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  4. Pessoalmente sinto que sou muito mal paga para o que faço: sou professora, agora estou de licença de maternidade mas até então trabalhava cerca de 55 horas por semana, dava explicações, apoio pedagógico mas também era motorista, cozinheira e empregada de limpeza. Tudo no mesmo local de trabalho e a recibos verdes há cerca de 8 anos. E no final do mês, o meu ordenado era o equivalente ao salário mínimo nacional.
    Se vou voltar para lá depois de acabar a licença? Sinceramente... acho que não. E não é só o ordenado que pesa nesta decisão. É todo o desgaste que trago para casa. É o não desligar depois de um dia intenso de trabalho.

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  5. Olha querida isso tudo é tão verdade.. e eu vivo isso todos os dias! Imagina duas pessoas, a desempenhar a mesma função, no mesmo local, uma pela casa e a outra por uma empresa de outsourcing.... Mesmas obrigações, mesmos horários, mesmo trabalho só que com salários diferentes. É triste..... Passo por isso todos os dias por isso, sei bem o que custa. É injusto !

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  6. Acho que é natural haver essas comparações. Por um lado, tenho as condições que aceitei quando vim trabalhar. Por outro, se olhar para o lado e a pessoa que faz mais ou menos o mesmo que eu tiver uma recompensa significativamente superior, vou questionar e inevitavelmente vai abalar a minha motivação...

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  7. É bem verdade...! Um beijinho, já tinha saudades de te ler :)

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Obrigada pelas tuas palavras!

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