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domingo, 3 de julho de 2011

Um amargo "necessário"

Ontem (sexta) levantei-me por volta das 10h para começar a estudar para o exame de segunda, era suposto ir cedo para casa logo depois do concerto de quinta à noite mas acabámos por ficar até lá para as 2h no café e a conversar porque tivemos o nosso primeiro "desentendimento", digamos assim. Não nos chateámos, apenas acho agimos de uma maneira que magoou o outro, ambos sem essa intenção, mais ou menos ao mesmo tempo porque não houve uma correcta percepção disso mesmo (do que estávamos a provocar um no outro com as nossas acções), não nos demos conta, percebemos mal as coisas e pela primeira vez não me senti confortável com ele como é característico.


Fomos ao concerto com a irmã do G. e uma amiga (da irmã).
Combinámos encontrar-nos com elas num local onde nós estacionámos, chegámos primeiro. Como não sabíamos onde era fomos pedir informações mas não nos souberam dizer onde é que era o local e então andámos uns 10minutos quase a pé até que encontrámos um polícia e perguntámos e lá ele nos explicou como lá íamos. Tivemos de voltar o caminho todo para trás e já estávamos em cima da hora, elas ainda não tinham chegado e nós não tínhamos a certeza do caminho. Ele mal falou comigo o tempo todo, não foi carinhoso como é o jeito dele, estava estranho. Nem dei muita importância embora tenha reparado nestas pequenas mudanças. Calculei que não fosse intencional e que nem se estivesse a aperceber e fosse por acaso assim. Depois lá encontrámos o caminho e ficámos à espera da irmã e da amiga. Ainda demoraram uns 10minutos e já passava da hora do concerto. Ele estava ansioso e preocupado, parecia inquieto, mal o reconheci quando elas chegaram. Depois de chegarem a nossa proximidade decresceu a olhos vistos. Ele não foi, o pouco tempo que andámos a pé (desde que as encontrámos até à Academia Recreativa onde foi o espectáculo) em contacto físico comigo (mão dada ou lado a lado) e o pensamento longe que nem o consegui alcançar…
O concerto todo esteve distante, exceptuando ao início em que trocámos algumas gracinhas e nos rimos ou brincámos. Não estava sequer perto de mim mesmo estando ao meu lado sentado, era tão estranho. Fez-me sentir uma qualquer, uma estranha que ele nem conhecia e lhe era completamente indiferente, que estava sentada por infortúnio do destino ao seu lado.
Mas achei que eram tudo coisas da minha cabeça. No final do concerto estivemos algum tempo na rua a conversar e ele mal me dirigia a palavra, fez-me sentir deslocada pela primeira vez e que se calhar não devia estar ali... até chegou a ser mau para mim quando não alinhou numa brincadeira e me deixou fazer figura sozinha (deixou-me ficar mal).
No caminho para o carro nada me disse, continuou aquele ambiente desconhecido. Entrámos no carro e igual continuou... eu pus-lhe a mão na perna, fiz festas no braço e nem a isso me "respondeu". Perguntei o que se passava, o que é que ele estava a pensar e ele hesitou até que finalmente me acabou por atirar um "O que se passa é que eu estou com uma crise de ciúmes, estou a morrer de ciúmes de ti". Eu mal podia acreditar, ri-me porque não estava mesmo nada à espera. Disse-me aquilo como que a castigar-se a si mesmo...não era o que ele queria sentir e sabia que não fazia o mínimo sentido. Depois percebi. Realmente, assim que saímos do concerto, já cá fora disse-me "Esse telemóvel não parou, com quem é que estavas a falar?" e eu respondi prontamente "Ah era com o D." (tinha estado a falar com ele durante o concerto...já há muito não falávamos e como o G. nem se chegava ao pé de mim...não tinha nada que me estivesse a ocupar e ele estava a responder-me logo porque àquela hora já estava em casa e tinha disponibilidade para falar mas nada demais) com a maior das naturalidades e sem pensar duas vezes. Nem me lembrei mais daquilo e só depois liguei as peças. Disse-me que não me conhecia nem às relações que eu tinha (e é verdade e é normal) e eu percebi e concordei que a relação que tenho é de uma amizade muito especial capaz de intrigar muita gente e que se calhar eu sentiria o mesmo. Ele ficou inseguro.  Deixou claro que o problema não era o meu amigo mas o conjunto de coisas que o levaram a sentir-se inseguro por não conhecer o tipo de relação que eu tenho e não estava em causa eu falar com ele! Disse-me ainda que a condição em que ele está (por não sermos namorados) é ingrata porque não tem o direito de sequer me dizer que tem ciúmes ou pedir qualquer tipo de satisfação. Ao mesmo tempo, por estar tão envolvido, não consegue não sentir insegurança e não querer tudo de mim (que é o que eu sinto também).
"Podes ter ciúmes mas não tens de ter, nem deves, nem tens razões ou fundamentos." foi o que lhe disse. É saudável, em qualquer relação haver ciúme e eu sei que o facto de ter amigos (homens) com quem me dou muito bem é algo que é "menos fácil" de aceitar (porque a mim também me custa mais aceitar amigas mulheres da parte de algum homem de quem goste, não é por falta de confiança ou pelo que seja, é mesmo assim, faz parte ser menos fácil, como é óbvio, não é indiferente) mas são coisas que ambos aceitam a partir do momento em que conhecem o outro e as suas relações, nós conhecemo-nos há muito pouco tempo e essa é uma das coisas que não conhecemos um no outro e tem de ser dadas a conhecer, faz parte do processo.


Pela primeira vez senti necessidade de me esforçar por manter conversa, como que "quebrar o gelo" com ele. Ou então tinha de ser eu a procurar a sua mão ou a aconchegar-me ao seu braço e a puxá-lo para mim o que não tem nunca de ser pensado entre nós porque, como “sentimos” acontece naturalmente ambos fazermos esse tipo de coisas e não apenas um (que aliás acho que é o que tem de acontecer em qualquer relação para que seja saudável, há que regar e existir investimento igual de ambas as partes). Nunca me tinha acontecido, connosco é tudo tão natural e flui duma forma mesmo "fácil" que isto fez-me uma impressão tremenda.
Foi tudo o que lhe disse e fiz questão de lhe mostrar.
Só consegui arrancar-lhe as primeiras palavras já ele estava ao portão de minha casa para deixar-me, poucos minutos depois e as primeiras palavras ditas, desvendado o mistério e já tudo a encaixar disse-lhe que fossemos a algum sítio e fomos a um miradouro onde conversámos durante à volta de 2h. Voltei tarde para casa como não queria mas ficou tudo bem. Acho que ambos percebemos e depois disto nos conhecemos melhor o que é fundamental para nós. 
Disse-lhe "não te podes afastar de mim porque me fazes sentir que não me queres e isso magoa-me"
Ele respondeu-me "hoje, depois disto tudo, quero-te mais do que nunca, nunca te quis tanto na minha vida porque te vou conhecendo e isso faz-me perceber!"


Cada dia me é mais querido.
Perdoe-me o testamento!

3 comentários:

  1. Tens sorte em ter quem te compreende!

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  2. Obrigada meninas, é verdade.
    Tenho muita sorte em ter encontrado esta pessoa fantástica que ele se tem revelado :) e tenho tido o prazer de conhecer. A ver se as coisas se mantêm assim né ?! :)

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Muito obrigada pelas tuas palavras!