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segunda-feira, 4 de março de 2013

Now is good - Agora fico bem


Sexta à noite e nós sem nada para fazer: estava frio por isso os centros comerciais seriam a opção mas já tinham acabado os saldos e, assim sendo, não estávamos viradas para andar a ver lojas. Decidimos ir ao cinema. Já nem me lembro da última vez que tínhamos ido as duas, só eu e a minha irmã. 

Foi ela quem escolheu o filme e eu só concordei. "Agora fico bem" era, de entre os que podíamos escolher de acordo com o horário, o que ela preferiu. Eu confesso que ia sem grandes expectativas, sem saber muito bem o que esperar mas achando que iria valer mais pela companhia e serão a duas do que pelo filme em si. Enganei-me.



O filme conta a história de uma miúda/adolescente com leucemia, cancro em fase terminal, que decide parar os tratamentos de quimioterapia (porque a faziam sentir muito mal e o benefício que lhe traziam era muito inferior à dor que sentia) e aproveitar os últimos tempos de vida fazendo tudo o que mais deseja. Elege uma série de coisas como ter relações, consumir drogas, infringir a lei, entre outros, como as que mais quer fazer e tenta fazer "o máximo de coisas no menor tempo possível" contando, para isso, com a cumplicidade da melhor amiga.


No meio de todas as aventuras, de recaídas e avanços da doença, existem pormenores da trama que nos prendem ao enredo - como o irmã mais novo, os pais separados e a força e determinação daquela miúda que enfrenta o que a espera (morte) encarando-o de frente, sem nunca se lamentar - e fazem do filme um óptimo programa de serão.

Acaba (como tanto sonhava) por experimentar o sentimento mais bonito do mundo (e da existência de qualquer ser humano) quando se apaixona e faz de tudo para viver cada momento do lado dele. É uma história de amor linda, quer em relação aos apaixonados, quer em relação à amizade que mantém com a melhor amiga, quer em relação à família que a ama tanto que sofre com ela cada momento.


Now is good conta uma história de amor, de força, determinação e garra. De quem ama a vida e a quer viver ao momento, agarrar e aproveitar cada segundo, experimentar cada sensação.

Faz-nos repensar tudo aquilo que temos e sobre o que nos queixamos ou lamentamos. Sem dúvida que temos de viver cada dia como se fosse o último mas, mais, temos de relativizar tudo aquilo que nos acontece ou pelo que passamos. O mais importante é sem dúvida a nossa saúde, é o bem mais precioso que o ser humano pode ter porque, com saúde, tudo se faz.


Quanto aos actores: a actriz principal é Dakota Fanning que encarna a personagem muito bem e dá-lhe a dose certa de impertinência, força e segurança. Jeremy Irvine é um miúdo giro que se farta que mostra toda a sua doçura, dedicação e amor quando aceita ficar ao lado de alguém com uma doença terminal, cuidando dela e apoiando-a não se indo embora. O pai Paddy Considine encarna um pai dedicado e que ama de coração a filha que vê definhar-se aos poucos sem nada poder fazer sofrendo de morte com isso e a mãe Olivia Williams, mais distante, dá a ideia de quem tem medo de encarar aquela perda certa tão dura de uma filha. A melhor amiga e confidente Kaya Scodelario acompanha cada aventura e desafio garantindo adrenalina e que os desejos da amiga são cumpridos.

O filme é muito forte porque acaba por mostrar as fases de uma doença terminal: ela vai ficando cada vez mais fraca quando já conta com poucos dias de vida, mostra-a definhar-se e, para mim o mais duro, aqueles que a amam a assistirem e participarem de tudo aquilo. É verdade que quem está doente é quem sofre cada momento na pele mas igualmente difícil deve ser vermos alguém a quem queremos bem ir-se abaixo, saber que tem os dias contados e que não podemos fazer nada para impedir que morra dali a pouco, para evitar que piore. Deve ser tão desesperante, tão triste...!


Fez-me relembrar o medo que tenho da doença. Quer da doença afectar quem mais amo, quer da minha por saber que há quem outros que deixarei neste mundo.

É um filme muito triste mas tão bonito!

1 comentário:

Muito obrigada pelas tuas palavras!