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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Sou uma pessoa horrível

Ontem a minha mãe esteve de folga. Mas só pelas 14h é que me disse isso. Ficou de me dizer quando estivesse despachada do que tinha para fazer naquele momento para nos encontrarmos. Eu também queria ir ver da prenda de anos do G. e assim aproveitava para estar com ela.
Só pelas 17h é que se lembrou de me dizer alguma coisa...já há muito tendo acabado o que tinha entre mãos quando me ligou pela primeira vez. Ora, deslocando-me eu de carro, sendo ontem dia de greve do metro e estando perigosamente perto da hora de ponta, àquela altura não ia sair de casa para ir ter com ela. E foi o que lhe disse. Até porque àquela hora o G. já estava a regressar do trabalho!
Ainda assim, eu perguntei-lhe se hoje sempre ia tentar falar com a médica sobre os efeitos que a medicação lhe tem provocado ao que ela respondeu que sim, ia hoje à tarde. Mas eu ia acompanhar o meu patrono às 14.30h fora de Lisboa por isso não poderia ir com ela. Não é que ela me tenha alguma vez dito para ir, eu é que falei do assunto. Ontem ainda falei com ela sobre um outro assunto, sobre o qual ficou de me dizer alguma coisa mas não o fez.


Hoje de manhã soube que a diligência não se realizaria e, portanto, não sai de casa. A minha mãe ligou-me às 14h e eu, como não queria sair de casa de propósito para lhe dar boleia do trabalho ao centro de saúde (que nem são longe um do outro, eu é que estou longe dos dois) - que era para isso que ela me queria - não atendi e mandei-lhe mensagem logo a seguir a dizer que, tal como lhe tinha dito, tinha diligência às 14.30h. Ela só me respondeu a perguntar se já tinha saído ao que lhe disse que sim e perguntei porquê.
É claro que menti e isso não se deve fazer. Mas também é verdade que a sua atitude, mais uma vez, só demonstra a desconsideração que tem por mim. Ligou-me meia hora antes para saber se a apanhava (calculo eu) e depois de lhe dizer que não estava disponível não me disse nem mais uma palavra.

Eu tenho uma tese para fazer, o tempo está a passar. Tenho tentado acompanhá-la mas muitas vezes só estou a marcar presença porque ela não me quer verdadeiramente lá - embora, se eu não estiver, me acuse e se queixe disso. Eu tenho a minha vida e é isso que ela não percebe, acha que eu não tenho nada para fazer e que, por isso, devo estar disponível para o que bem lhe apetecer. Eu tenho de tratar de mil e uma coisas minhas, porque mais ninguém as fará por mim mas ela não quer saber disso, nem o pondera, nem se lembra. Além do mais, ela não valoriza nada do que eu faça (como sempre desde que me conheço por gente).
Por tudo isto é que, é triste dizê-lo e ainda mais chegar à conclusão de que a minha mãe não me faz bem. Sinto-me mal por lhe ter mentido e por ter decidido não ir com ela mas tenho de começar a pensar mais em mim e no que me convém também - tal como ela faz. Tudo o que ela representa, para mim, é o maior problema emocional que tenho em mãos neste momento. Ela deixa-me de rastos, é capaz de me fazer sentir a pior pessoa à face da terra, por mais que faça, nunca é suficiente e estás sempre errado, eu estou sempre errada. Não tem consciência nem discernimento para compreender o que efectivamente se passa à sua volta e como me influencia negativamente.
Já que ela, que é a mãe, não consegue ver o que é melhor para mim, tenho de ser eu a fazê-lo. E essa é uma tarefa dura e desafiante. Mas indispensável.
Hoje decidi que não tinha de me sacrificar para ir levá-la, como lhe convinha, onde queria. Hoje decidi dizer-lhe não. E, apesar de saber as consequências que isso me trará, sei que fiz o melhor para mim (embora me custe).

Mas serei só eu que acho isto? Que vejo que as suas atitudes não me têm em consideração real?

5 comentários:

  1. Infelizmente nem sempre tudo é como deveria ser, ou como gostaríamos que fosse... É uma situação complicada, acredito que sim. As coisas não são lineares, não são preto ou branco, e muitas vezes só quem passa pelas situações sabe como as coisas são de verdade. Desejo-te força para conseguires realmente fazer aquilo que é melhor para ti, para vocês...

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  2. Acho que devias sentar-te e falar com ela sobre o que sentes. Mas falar mesmo. Às vezes as pessoas magoam-nos e não sabem que o estão a fazer. E isto acontece com muita frequência. Mas ela é tua mãe, e merece essa conversa :) quero seguir-te mas não encontro onde posso fazê-lo xD como faço?

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  3. Por vezes sinto-me igual em relação à minha mãe. O melhor conselho que te posso dar é que te sentes com ela e digas o que sentes. Ela até pode não gostar do que vai ouvir mas se mantiveres isso para ti vais magoar-te ainda mais!!

    Força :)

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    1. Obrigada. Eu já o fiz. Infelizmente ela não consegue (ou não quis) ver o que eu lhe digo. Nada do que lhe diga lhe entra na cabeça. Já falei várias vezes de várias formas...mas tenho esperança que com o tempo e com o tratamento emocional e psicológico que ela tem de fazer (e finalmente já iniciou) recupere a consciência e a noção. Obrigada :) beijinhos

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Muito obrigada pelas tuas palavras!