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sexta-feira, 1 de abril de 2016

Tudo se conjuga

Tem piada que quando terminei de escrever isto me lembrei que há dois dias atrás conheci alguém que me falou da sua experiência na minha área e na qual eu me revi. "Não tinha ninguém da família ou próximo na área e tive de me desenvencilhar sozinho. Tive sorte, fui parar a um escritório onde fui bem recebido e tratado mas o início é muito complicado. Se é verdade que é uma grande ajuda termos um bom sítio para estagiar, também é verdade que muito conta a nossa dedicação, esforço e empenho. Na altura os estágios não eram remunerados e tive de arranjar um emprego à noite para conseguir colmatar, não foi fácil, mas lá consegui." Achei que aquilo não podia vir em melhor altura porque tinha estado e continuava, nesses dias, a enviar currículos para trabalhos noutras áreas, de maneira a conseguir colmatar a falta de remuneração. Na altura retive essencialmente que tínhamos condições semelhantes e que tínhamos de trabalhar fora da área para nos mantermos. Mas na realidade, o que me disse quando nos despedimos, que agora me lembrei e na altura me pareceu menos relevante é o que eu preciso de reter neste momento.


"Boa sorte. Persistência! Nesta área é preciso persistência, não desistir porque os primeiros anos são complicados mas depois a carreira arranca." disse-me com tanta persistência e sensibilidade que eu não consegui assimilar como aquilo fazia todo o sentido naquele momento para mim. Afinal, não posso deixar tudo para trás, quando já falta "tão pouco". Momentos antes de eu vir a ponderar afastar-me do estágio para um trabalho temporário que me garante uma quantia ao final do mês - que não é muita nem é pouca, para quem nada tem, muito lhe parece - alguém, que acabara de me conhecer, como que adivinhando-o, diz-me que tenha cuidado com as minhas escolhas, que não desista e que continue a insistir naquilo que quero. Na altura não reflecti. Mais tarde não liguei as coisas. Só no final do texto que publiquei é que se fez o clique e me veio à memória aquela despedida, de olhos nos olhos e de palavras sábias. De um estranho. Obrigada estranho. Acertaste. Porque eu precisava desta chamada de atenção. E se na altura não fui capaz de o entender, agora relembrei.

1 comentário:

Muito obrigada pelas tuas palavras!