terça-feira, 15 de maio de 2018

Detox do roupeiro

Eu faço parte daquele conjunto de pessoas que tenta ter no roupeiro apenas a roupa que posso vir a usar durante uns quantos meses, a roupa da "estação", e que guarda/armazena a outra roupa durante alguns meses. Com a mudança da estação e consequentemente das roupas quentes para as mais frescas, há uma ou duas semanas, fiz uma revisão nas ditas. Quase sempre aproveito este momento para ver o que quero manter e o que não quero guardar sequer para a estação seguinte - e no último ano tenho intensificado esta prática que me esforço por aplicar.


Este ano tenho sentido uma especial vontade de me livrar da maioria da minha roupa porque já não me identifico muito ou porque são peças que mantenho há vários anos (e isto parecendo que não também tem peso na nossa decisão de se desfazer delas) porque sei que acabo por usar numa ou outra situação (uso mesmo) mas que não gosto assim tanto da peça, ou porque são peças com as quais já não me sinto assim tão confortável, ou porque são peças que mantenho na esperança de vir a encontrar-lhe um substituto ideal ou do qual goste mais (porque é uma peça versátil, o chamado "básico", seja pelo tipo ou pela cor).

Tenho escolhido, quase todos os dias durante as duas últimas semanas, peças do roupeiro. E tenho sentido que preciso de equilibrar a minha vontade de mandar mais de metade do que tenho para as urtigas e o receio de ficar com pouquíssima coisa para vestir. Eu sei que é ridículo mas é o que sinto. Serei a única ou esta é uma daquelas características tão típicas das mulheres?

A verdade é que a pessoa facilita a sua vida quando tem menos roupas mas ao mesmo tempo acho que tem de ir com calma para aprender a fazer as escolhas acertadas. Afinal uma pessoa arrecada as roupas durante anos e anos, se mandar uma grande parte fora de uma vez tem de ter possibilidade de comprar as substitutas e eu não tenho... afinal também constitui investimento o que temos dentro do armário, e isso também conta para a decisão de nos desfazermos ou não.

Existem algumas coisas que dificultam a minha tarefa de me livrar do que tenho "a mais" no guarda-fatos e assim de repente consigo identificar:
  1. O tempo a que temos as coisas;
  2. Servirem-nos e não ficarem mal;
  3. Ser fácil de usar aquela peça porque estou habituada a elas e são versáteis;
  4. O que custaram (tendo sido caras ou tendo sido umas pechinchas).

Quando uma peça reúne as características acima, apesar de não ser uma peça que eu adore, custa-me a desfazer-me dela.


Já passei a fase do que não serve ou do que está estragado, essas peças são escolhas fáceis para se irem embora do meu armário, mas por exemplo as peças que uso mas pouco nem sempre sei o que lhes fazer. Se tiver usado uma vez nos últimos meses, que é coisa para me acontecer com muitas roupas, é para ir ou para ficar? Afinal pode ser apenas o reflexo de ter muita roupa e demorar a dar a volta e repetir, ou isto é só uma desculpa e só devo manter aquilo que tenho vontade de usar sempre? É que depois corro o risco de me vestir sempre igual ou as mesmas coisas, não?! A mais alguém isto acontece? 

Sinto que é por estar a querer mudar a minha forma de vestir que tenho tido vontade de dar a volta ao roupeiro. Sei que o que visto também determina como me sinto bem no meu dia-a-dia e por isso tenho necessidade de escolher o que manter e o que preciso deixar ir embora. Além disso, obviamente que tendo menos roupas por onde escolher e sendo peças que gostamos, facilitamos a nossa escolha diária do que vestir e, tendo menos peças, o espaço (a mim não me sobra!) que temos para as arrecadar alivia e isso conta muito também para a minha vontade de desintoxicar o meu roupeiro. Afinal não consigo evitar sentir-me sufocada quando o espaço é pouco e as coisas parecem multiplicar-se!

6 comentários:

  1. Faço essas voltas ao armário frequentemente e não tenho dó nem piedade na hora de mandar fora ou dar. Tinha muitas coisas que mantinha "porque um dia pode dar jeito", que já não serviam bem mas "posso um dia voltar a emagrecer e usar", com as quais já não me identificava ou usava pouquíssimas vezes mas "são tão giras e foram mais caras". Deixei-me disso. Tenho pouco espaço e pouca paciência. O que não serve, não uso mais, já não gosto tanto, já não me sinto confortável, lixo ou para dar.

    Tenho poucas roupas agora, ainda mais estas de meia estação e de Verão. Precisava de renovar o guarda roupa mas há outras prioridades. Também não sou de comprar só porque sim, sou ponderada e forreta. Compro o que preciso. À medida que for precisando, vou repondo, principalmente esperando pelos saldos ou aqueles grandes achados. Mas lá que preciso de roupa, preciso! A que tenho está em bom estado, na maioria dos casos, mas já tem muitos anos e muito uso. Algumas precisam de substituição. Não acredito que precise de roupas novas a toda a hora, sou a favor de usar até não dar mais, mas começo a fartar-me de ver sempre o mesmo também.

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    1. Efectivamente, também sou apologista de usar até não servir ou se gastar. E quero continuar a reduzir até ter idealmente o conjunto de roupas (guarda-roupa) que adore mas sei que leva tempo e tenho esse receio também de só ter as mesmas coisas ou usar sempre a mesma coisa.

      É uma óptima desculpa o ter pouco tempo e pouco espaço. Também sou muito forreta no que diz respeito a vestuário e só compro mesmo nos saldos ou promoções.

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  2. Sabes que eu acho que ajuda levares uma amiga sincera que te possa dizer o que te fica melhor ou não. Às vezes estamos presas a peças que nem nos favorecem só porque temos algum tipo de ligação emocional. Hoje em dia é muito mais fácil comprar peças em promoção ou saldos o ano todo. Não vale a pena acumular tanto. Eu tenho um longo caminho a percorrer mas hei-de lá chegar ;) Boa sorte

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    1. Que dica incrível da amiga :)
      Cá vamos. O importante é aproveitar a vontade!

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  3. Entendo-te bem... mas eu tenho imensa dificuldade em decidir-me a abdicar da roupa. Fico sempre com a sensação que um dia vou precisar exactamente daquilo e que não vou ter... mas estou a começar a sentir esse tal "sufoco" e já nem consigo perceber bem o que é que me faz falta...

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Obrigada pelas tuas palavras!

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