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terça-feira, 5 de novembro de 2013

A preocupação já me estava a destruir

E uma espécie de remorsos - por me sentir ingrata e mal agradecida para quem me tinha dado uma oportunidade e me ajudou quando eu precisei recebendo-me como se fosse da família - estavam a dar cabo de mim... 


Decidi que tinha de ser. E daquele dia não passava. Depois de confirmar por mensagem, lá fui eu. O percurso mais me pareceu um calvário, ia nervosa e emotiva qual condenado à forca. Tive de me esforçar para não voltar atrás, não chorar nem desistir e fechar-me em casa. Carregava comigo um turbilhão de emoções e pensamentos contraditórios. Fiz o caminho quase em piloto automático, a passo corrido e de cara fechada em preocupação e ansiedade. O nervoso miudinho não me largou por um segundo, estava a consumir-me verdadeiramente há semanas e o sorriso despreocupado quando lá cheguei foi só uma tentativa falhada de disfarce do medo que me atormentava há dias. Parecia um bicho de sete cabeças mas acabou por ser uma conversa muito fácil, tranquila e à vontade embora sempre emotiva e nervosa. 


Tive sorte, ele estava num dia bom e foi, como sempre, impecável comigo. Compreendeu que não era humanamente possível continuar assim e fazer alguma coisa de jeito no mestrado. Tentei explicar-lhe, o mais sincera e abertamente, aquilo que se passava e dar-lhe conta de toda a situação: que não conseguia conciliar tudo embora ao início tivesse acreditado e desejado que sim; que a carga horária do mestrado era monstruosa e não estava à espera disso; que ao início pensava/pretendia apenas fazer algumas horas mas que compreendia que para um empregador isso é muito complicado de gerir; que tinha medo de me causar problemas uma vez que soube que seria bolseira mais este ano; que tinha muita pena de me ir embora porque gosto do que lá faço e da equipa, do ambiente e tudo; que estava à vontade quanto ao tempo que precisasse para me substituir, que eu podia aguentar os fins-de-semana que ele achasse necessários para se organizar e facilitá-lo; que estava mesmo à vontade para me chamar quando precisasse; que quis trabalhar para não sobrecarregar tanto o meu pai que é o único que me ajuda e a quem me custa ter de pedir tudo; que não queria estar a prejudicar aquilo que é o meu principal objectivo e o que estou aqui a fazer (o mestrado); que, como sabia que ele estava à procura de alguém (porque uma das raparigas de full-time se despediu a semana passada), achei melhor dizê-lo já ao invés de me tentar aguentar (arrastando o problema) e fazê-lo daqui a um ou dois fins-de-semana quando ele teria de iniciar todo o mesmo processo de recrutamento uma vez mais.


Ele concordou com tudo, foi compreensivo como não tinha sequer imaginado, deu-me a entender que tinha ali uma porta aberta para futuras situações e deixou-me tranquila porque proporcionou uma conversa serena, descomplicada e natural. Tudo o que eu precisava.


 Desde o primeiro dia que tinha estas preocupações e medos, só que quis convencer-me de que era capaz - acho que o G. tinha razão e, todos à minha volta já tinham percebido que era impossível, só eu é que ainda não estava convencida e tive de prová-lo a mim mesma.


Então este fim-de-semana trabalho sexta, sábado e domingo, muitas horas seguidas, mas, em princípio, será o último. Os últimos dias de trabalho naquele lugar que me fez sentir em casa e, assim, só pode deixar (muita) saudade.

E tirei 100kg de cima!

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