Pesquisar neste blogue

terça-feira, 30 de junho de 2015

Amor e filhos


Falar de amor soa-me sempre a atrevimento. Não consigo evitar pensar se tenho sequer "moral" para falar do sentimento mais poderoso e transformador que o ser humano pode experimentar.
Mas logo o meu coração me lembra que ele carrega (e por isso trago comigo) umas pessoas tão especiais pelas quais só posso sentir amor. Por esse motivo eu me atrevo a falar de amor.
Todos temos vários amores nas nossas vidas mas eu não conheço amor "maior" do que o que sinto pelo homem com quem partilho os meus dias. Não se pode quantificar o amor mas a verdade é que nunca senti nada parecido com o que sinto por alguém com quem, em consciência, desejo passar o resto da minha vida. Haverá algo mais revelador do amor que se tem do que a decisão de querer partilhar todos os nossos dias com uma só pessoa? Aquela que o nosso coração escolheu, que nós preferimos de entre todo o resto do universo! Claro que há muita gente que decide juntar-se a outra pessoa por muitos outros motivos mas quando se toma tal decisão com base num sentimento puro e genuíno, numa simples vontade de "ficar com ela, para sempre", nada pode ser mais revelador da dimensão desse amor.
Apesar de não ser mãe conheço um amor quase maternal e é maior do que se possa explicar. É um querer bem, preocupar-se constantemente e, ainda que não sendo, sentir-se responsável.
Não sei se um dia terei filhos porque amo tanto o meu namorado e o que temos que tenho medo que um dia se perca. Eu sei que este sentimento ou pensamento pode vir a mudar, sei também que pode até parecer egoísta. A verdade é que, até agora, nunca senti que queria ser mãe e não sei se me sinto capaz.
Para mim, uma família pode ter muitos filhos mas o casal é o centro de tudo. Até porque, os filhos irão crescer, tornar-se independentes e construirão eles mesmos as suas vidas enquanto indivíduos autónomos. E quem fica, do nosso lado e nos acompanhará em todo o nosso percurso, é o nosso companheiro.
 Afinal é a ele que prometemos amar e respeitar o resto das nossas vidas, sem que mais nenhum laço senão o do coração nos unisse não é?
O amor aos filhos deve ser maior que nós, afinal estamos ligados pelo sangue, nasceram de nós. Mas o amor apaixonado, verdadeiro, também só pode ser maior que nós e transforma-nos, tornamo-nos parte do outro, tal como ele faz também parte de nós. Apesar de não ser uma ligação de sangue, foi uma ligação que nós escolhemos, de coração, corpo e alma, fazer, em nome de um sentimento que nos comanda a vida - o amor.
Se um dia for mãe, espero que seja com este homem único que tenho ao meu lado (porque só com ele o arriscaria com sensatez) e desejo continuar a pensar assim. Não se trata de amar mais ou menos, o companheiro ou o(s) filho(s). São amores diferentes e não podem ser comparados mas se eu escolhi esta pessoa para ficar o resto da vida a meu lado, tendo-o comigo poderei sempre aumentar a família, se for essa a nossa escolha. Sem ele é que nada faria sentido.
Para mim não é concebível descartar o pai dos nossos filhos depois de sermos mães, só porque já temos o amor maior: os filhos - que, por ironia, são daquele homem também e sem ele não existiriam, ou não?! Os filhos são do mundo. Amar os filhos só nos poderá fazer, logicamente, amar ainda mais aquele nosso companheiro, que nos deu também os tão amados rebentos, digo eu.
Não há ninguém que nos pertença. A única coisa que temos só nossa é este amor que nos liga e mal nos cabe no peito.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Muito obrigada pelas tuas palavras!