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terça-feira, 2 de junho de 2015

Aniversário do homem recheado de surpresas.

Ele mal sabia o que o esperava!


Ontem foi um dia de muita correria, muita coisa tinha de sair bem e havia um certo risco de não conseguir que assim fosse. Pois que ontem foi o dia de aniversário do homem, uma eterna criança. E como segunda-feira, era um dia muito preenchido, com trabalho e ainda consultas ao final do dia, pelo que não sobraria grande margem de manobra para se celebrar. Lá se decidiu a não dar consultas depois do trabalho e cancelou-as mas ainda assim chegou a casa depois das 18.30h.

Quando chegou já cá estavam em casa os pais que vieram de propósito para o surpreenderem, cantarmos os parabéns e partirmos o bolo. Mas era surpresa, então esperaram na sala, fechada, já com a mesa de festa posta, que eu inventasse uma desculpa para o fazer ir à sala e assim os descobriu lá - e foi a primeira surpresa do dia! Não estava à espera e ficou muito contente. Ficou feliz e foi importante para ele estar com os pais num dia importante, ainda mais tendo eles vindo propositadamente para o ver naquela data, embora tenham ficado pouco tempo (para o deixar descansar também). Não ficaram muito tempo precisamente porque já não era cedo, ele tinha acabado de chegar do trabalho e nós tínhamos jantar marcado para dali a pouco, só nós dois. Ainda me lembrei de convidar mais gente para ir lá ter connosco mas depois de muito sondar percebi que para ele não era muito importante, desta vez, estar com mais gente e confessou-me que lhe agradava a ideia de irmos jantar só nós dois - e concordei. Então deixei-me estar quieta (quanto a isso).

Arranjá-mo-nos e saímos de casa - ele não sabia onde íamos. De caminho passámos na casa da minha mãe que lhe deu um presente e os parabéns. A segunda prenda do dia: umas pantufas, depois do dinheiro que os pais lhe deram. 

Na verdade, ao passar a meia noite, na noite anterior, eu desejei-lhe um feliz aniversário e dei-lhe para as mãos uma caixa com uns ténis giros que tinha encontrado a um preço incrível uns dias antes. Eram o número único e eu já suspeitava que não fossem servir mas foram essenciais para que o meu plano funcionasse. Foram uma manobra de distracção. Eram giros, valiam a pena, ele gostou mas não serviam e, por isso, eu fui devolvê-los feliz e contente embora ensaiando uma pequena desilusão por não ter um presente para ele uma vez que aquele não lhe tinha servido.


Depois de passarmos na minha mãe fomos para o restaurante. Era um sítio em relação ao qual já tinha alguma curiosidade e aquela noite pareceu-me a ocasião ideal para irmos experimentar. Fomos comer hambúrgueres simples mas muito saborosos, razoavelmente servidos e num espaço com música ao vivo, bem descontraído, original e com ambiente familiar. Ele ficou encantado com o facto de haver cantor, de guitarra na mão, a dar espectáculo intimista e cantou, pediu músicas e...pela terceira vez (a segunda surpresa foi o restaurante) foi surpreendido. O restaurante era pequeno e não tinha muita gente então, quando fui ao wc aproveitei para pedir à empregada que pedisse ao artista para lhe cantar os parabéns - uma vez que o homem estava de frente para o cantor, deixaria de ser surpresa se fosse eu a lá ir. Então, depois de voltar para a mesa e ouvirmos mais uma música o senhor, em alto e bom som, solta um "Atenção G.!", ele olha para ele surpreso e começa toda a gente a cantar-lhe os parabéns.

Fazê-lo querer ir embora do restaurante é que não estava fácil. Eu queria levá-lo a mais um lugar mas ele tinha vontade de lá ficar a ouvir mais música ahaha. Quando lhe confessei que o queria levar a mais um sítio concordou e acedeu logo. Fomos à pressa em direcção a Algés. Pelo caminho tentou adivinhar onde íamos até que lhe disse "Escusas de perguntar onde vamos, quando lá chegarmos vais ver" - mas foi em vão, a curiosidade era mais forte do que ele.
Quase a chegarmos ele percebeu que íamos para a Volvo Ocean Race e lá lhe tive de pedir ajuda para chegarmos ao recinto porque não sabia o caminho nem onde era ao certo. Lá chegámos mas ele não sabia que íamos ver alguém especial - o Carlão (só o percebeu quando lá chegou efectivamente). Já chegámos tarde e o concerto já estava a caminho do fim, felizmente ainda ouvimos algumas músicas e mais badalada do momento de que ele gosta.
Antes da meia noite, nem uma hora depois de termos chegado, já estávamos de regresso ao carro. E já contava com quatro surpresas, muita emoção e ele parecia uma criança de coração cheio, feliz e contente por termos feito tanta coisa.

De regresso a casa, já ele pensava que tinha terminado, pedi-lhe que abrisse a gaveta debaixo do seu banco (do pendura) e tirasse de lá uma caixa de chocolates. Quando ele viu o que era perguntou-me se aquilo também estava planeado, comermos chocolates no caminho para casa e eu tive de fazer um esforço para me conter, pedindo-lhe somente para abrir a caixa.
Uns segundos depois era vê-lo maravilhado, incrédulo com o que tinha descoberto dentro da caixinha vermelha de bombons NESTLE, dizendo-me que eu não existia e que não acreditava, soltando vários sons de exclamação. Não podia acreditar. Foi delicioso assistir à sua reacção (embora eu fosse a conduzir)! E era mesmo aquilo que eu queria.


Eu queria oferecer-lhe um telemóvel porque o dele estava pelas horas da morte mas o meu orçamento era, como é mais do que evidente, muito limitado então tive de fazer muita pesquisa, seleccionar alguns modelos a preços que eu podia pagar, comparar características, procurar alternativas aqui e ali, estudar os vários cenários possíveis e pedir ajuda à minha irmã (mais entendida na matéria, que me aconselhou). Foram vários dias, semanas nisto. E não foi uma decisão fácil, até à última da hora estava sem saber bem o que fazer. A minha vontade era comprar um modelo melhorzito mas que era muito acima do que eu podia pagar (quase o dobro do orçamento que tinha estabelecido). Se por um lado não lhe queria comprar qualquer coisa, afinal já fazia sentido e merecia ter algo melhor, por outro ele não ficaria desiludido se lhe desse um mais simples porque cumpriria na mesma a sua função e porque ele não é esquisito.
Foi um pequeno dilema. Lá encontrei o telemóvel que andava a namorar por um preço bem mais simpático em segunda mão, ainda com mais de um ano de garantia, a poucos dias do aniversário dele e combinei ir ter com o vendedor ontem de manhã - só na sexta é que o anúncio foi publicado.
Antes de ir ter com o vendedor fui à loja onde o tinha visto mais barato tentar encontrar e ver pessoalmente o dito telemóvel mas não consegui encontrá-lo, estava esgotado e só comprando online.
Fui ter com o senhor que mo vendeu apreensiva mas depois de esclarecer algumas dúvidas e de o ver a funcionar lá me decidi a comprá-lo e pensei "seja o que Deus quiser". Vim-me embora com um misto de sensações no peito - por um lado aliviado, por outro receosa. Mantive-o ligado para o experimentar e explorar um bocadinho. Fui a uma segunda loja ver o dito cujo mas o preço dele novo continuava a ser proibitivo. Com o passar das horas fui ficando cada vez mais convencida e acabei por vir para casa mais segura da minha opção. Aquela tinha sido a decisão, aquele era o dia e só tinha de avançar com o meu objectivo. Se não corresse como esperado logo arranjaria solução. Em casa, tive de desencantar forma de embrulhar (uma vez que nem a caixa original do equipamento tinha) a coisa e depois de procurar pelas minhas acumulações, encontrei a solução perfeita com uma caixa de chocolates vazia. Forrei-a com película aderente amassada para que o telemóvel não andasse a deslizar dentro da caixa, fiz um laço com uma fita vermelha no dito cujo e dispus os auscultadores, cabo de dados e ficha para o carregar ao lado, dentro da caixa. Escrevi-lhe um pequeno cartão e terminei colocando por cima daquilo tudo aquela protecção de papel que os bombons trazem em cima, para evitar que toquem na própria caixa. Fechei a caixa e guardei-a - tinha de encontrar a altura ideal para lha dar. Quando saímos para jantar levei-a comigo sem que ele se desse conta e aproveitei que ele voltou a casa para a esconder debaixo do banco. Fui adiando o momento em que lha entregava...embora estivesse mortinha por fazê-lo mas no restaurante decidi que só depois de todas as outras surpresas acabarem faria sentido terminar com aquela (a mais aguardada) e foi o melhor que fiz. Quando ele achava que mais nada podia acontecer pimbas. Mesmo em cheio. E ele nunca desconfiou de nada, mesmo quando a tinha na mão achou que eram bombons de chocolate para comermos no regresso a casa (é mesmo um romântico). Ahaha

Quando ele finalmente já tinha o telemóvel nas mãos e quando todas as surpresas tinham acabado tive de lhe explicar tudo, afinal tinha passado a tarde/noite a dizer-lhe que não tinha conseguido comprar o telemóvel que queria (não era bem mentira, eu queria comprá-lo novo) e que naquele mês era mesmo muito complicado e por isso não tinha conseguido...e bla bla bla. Isto porque a mãe dele tinha-me dito na sexta-feira que tinha pensado comprar-lhe um telemóvel como ele precisava e quando eu lhe respondi que também o queria fazer ela disse-me que podíamos partilhar a prenda, dando as duas. Eu achei boa ideia porque assim poderia comprar o mais caro mas não queria nada dividir a prenda com mais ninguém, porque afinal não seria só minha. Eu sei que pode parecer parvo ou até mesmo egoísta da minha parte mas eu queria mesmo dar-lhe eu uma prenda e não me agradava muito partilhá-la. Assim, depois de ter prometido a mãe dele ver do assunto é que decidi que não queria partilhar, a menos que não tivesse alternativa. Em boa hora encontrei o telemóvel que queria em segunda mão e a um preço que eu podia pagar. Disse à mãe dele que não tinha comprado por estar esgotado e assim que mais valia talvez ser ele a decidir, nunca lhe contando o que na verdade tinha feito (comprado um). E por isso tinha obrigação de explicar tudo ao meu homem e justificar-me para que tudo ficasse claro, deixando nas suas mãos a decisão de ficar com aquele e guardar o dinheiro que a mãe lhe deu (para aquele mesmo fim) ou vender aquele e comprar outro com o dinheiro da mãe e a minha contribuição também. Ele compreendeu perfeitamente todas as minhas razões e concordou comigo. Decidiu ficar com o que eu lhe dei. Eu já sabia que se lhe déssemos o dinheiro ele acabaria por não comprar ou comprar um qualquer só para não gastar muito (como aliás ele me confessou depois dos pais lhe terem dado o dinheiro e falado do assunto e quando já não estavam connosco) mas eu achei que ele merecia algo melhor e por isso tive todo o trabalho que tive e dediquei tanto esforço à causa. É claro que não queria ser mal interpretada e por isso não contei nada do que fiz à sua mãe nem lhe disse antes nada - tive de inventar a desculpa de não o ter comprado porque não podia para não ser obrigada a explicar tudo e guardando a surpresa para o final.


Depois de tanta peripécia e apesar de exausta cheguei ao final do dia com o coração cheio e com a sensação de dever cumprido. Fiz o que estava ao meu alcance e até um bocadinho mais mas valeu cada minuto de dedicação e tempo perdido pelo seu sorriso ao final do dia e porque acabou por me confessar quando estávamos a chegar a casa:

- Hoje fizeste-me sentir uma pessoa mesmo muito especial.
- Ainda bem porque é isso mesmo que és!

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