terça-feira, 8 de maio de 2018

Mulher: carreira ou família

Hoje em dia não há muita alternativa para a maioria do comum mortal: ou se decide ser esposa e mãe (jovem), ou se decide apostar tudo na carreira. 
Infelizmente hoje já não acredito que seja possível conseguir-se ambas as coisas simultaneamente. Na verdade já me conformei que não tenho possibilidade de ter as duas coisas. Acho que as mulheres ou se dedicam à constituição de família ou à profissão ou carreira que queremos prosseguir. Não acredito que seja possível hoje se fazer de outra forma.


Se decidirmos estudar antes de pensar em construir a nossa própria família, já não se começa a trabalhar muito cedo. Ou se tem a sorte de encontrar o emprego ideal assim que entramos no mundo do trabalho, ou temos de trabalhar para viver e aceitamos o primeiro mais ou menos sensato que consigamos e é aí que começamos. Se assim for e já tivermos todas as condições (homem principalmente mas o resto que cada um ache importante, sei lá, carro, casa, viagens, o que seja) reunidas para sermos pais (partindo do princípio que o queremos ser, obviamente!) não podemos engravidar logo que começamos a trabalhar, afinal, hoje em dia os contratos de trabalho são a termo certo, na melhor das circunstâncias de um ano, e não creio que qualquer pessoa decida ser mãe logo no seu primeiro ano de trabalho. Aí, já temos de esperar pelo menos outro...não há volta a dar: engravidar ainda é um problema para as entidades laborais que ainda não conseguiram descobrir que há mecanismos especificamente pensados para colmatar estas necessidades particulares.
Assim, se uma mulher que está há pouco tempo num trabalho decide engravidar, já pode contar com alguns olhares reprovadores e com a insatisfação do empregador à partida, porque afinal já lhe foi arranjar um problema! Por este motivo, se calhar protela-se o desejo de ter filhos por um ou dois anos mais. Mas, fazendo-o ou não, já se sabe também que naquele interregno da gravidez/baixa a mulher não terá oportunidade de crescer ou evoluir profissionalmente, salvo raras excepções, ou seja. Ou se decide a ter um filho ou se decide a ter uma carreira, não há muita conjugação possível, a meu ver. Mas elucidem-me se eu estiver a ver isto tudo muito mal mas para uma mulher ser uma "profissional bem sucedida" não será, à partida, mãe jovem. Então é muito simples (e injusto): temos de escolher.

9 comentários:

  1. Não vejo razão para uma obrigatoriedade em se ser mãe jovem. Eu concordo que a mulher deve investir em si, na sua carreira. Na creche onde trabalho a maioria das mães está acima dos 30. E decerto é o que me vai acontecer. Mas não tem mal. Porque a verdade é que mulheres e homens devem primeiroprimeiro investir em si para depois conseguir investir num filho. Além disso há muitas mulheres bem sucedidas que são grandes mães. Já lá vai o tempo em que era a mulher que tinha que tratar de tudo. Hoje em dia tem que ser trabalho de grupo! Com um pouco de esforço tudo se consegue!!

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    1. Aquilo que escrevo é baseado naquilo que sinto e obviamente na minha vivência. EU gostava de, a ser mãe, sê-lo (pela primeira vez) antes dos 30 anos e por isso e com esse pressuposto escrevi o texto acima.
      Obrigada pela tua partilha. Bjs

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  2. Percebo o que queres dizer mas não acho que seja tão extremado assim.
    É verdade que, começando a trabalhar mais tarde, e tendo em conta as condições de trabalho atual (contratos a termo certo, precariedade, etc) ou se tem filhos mais tarde ou tem que se passar por situações um pouco mais complicadas. Embora ainda me faltem outras coisas para começar a tentar ter um filho, uma das minhas preocupações é primeiro estar efetiva no meu trabalho. Não é uma condição necessária para ter filhos nem sei se o irei esperar, mas seria algo que me daria mais segurança financeira. A contratos de ano a ano, podem sempre alegar que não renovam porque acabou o contrato e pronto. Estando efetiva, há sempre mais burocracias na hora de mandar uma grávida ou recém mãe embora. Na verdade, duvido que a minha entidade empregadora o fizesse, mesmo, mas é outra segurança. E nem é só essa questão, é mesmo a estabilidade financeira.

    Relativamente a subir na carreira ou ser mãe, não concordo nada que tenha que haver uma escolha. É verdade que a disponibilidade para o trabalho possa ser dificultada por termos filhos, mas também é verdade que tudo se consegue se quisermos. Imagino que os meus filhos terão pai, portanto nem sequer coloco essa questão. Eu ter filhos para cuidar não será impedimento no sentido de ser eu a responsável por tudo o que se refere aos mesmos e, por isso, ter que faltar ao trabalho, por exemplo. O pai tem a mesma obrigação e, se a questão da progressão da carreira não se coloca aos pais, também não se coloca às mães (para mim, na minha visão de maternidade e paternidade). Não serei só eu a abdicar de coisas pessoais ou profissionais em prole dos filhos, espero que, a ser necessário, o pai deles faça o mesmo. Portanto eu terei as mesmas possibilidades de ter uma carreira que o pais dos meus filhos. Isso é ponto assente na minha vida, nem sequer imagino outra forma.

    Não acho que seja impossível ser mãe antes dos 30, mesmo que tenhamos entrado no mercado de trabalho mais tarde. É uma questão de organização pessoal, financeira e de fazer os sacrifícios necessários para o atingir. Não podemos esperar ter filhos num clima de instabilidade financeira e ainda assim querer manter um estilo de vida que exige um certo nível financeiro. São escolhas.

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    1. Concordo na questão de tudo ser dividido na educação dos filhos e nas responsabilidades inerentes aos mesmos entre pai e mãe e acredito que só assim faz sentido ser-se pais. Quando me refiro a ser uma escolha da mulher é porque só a ela implica a gravidez em si e o que a ela envolve - os 9 meses grávida, a baixa de maternidade depois da criança nascer, o acompanhamento de uma criança nos primeiros tempos, exige sempre muito mais da mãe do que do pai. Era a isso que me referia. Porque se pensares eu agora quero ter filhos antes dos 30 tens de o considerar, conjugado, é claro com a questão de que falas no primeiro parágrafo (estabilidade no emprego - em relação à qual estou de acordo contigo, gostava de já estar efectiva mas também não sei se esperarei).
      Portanto, relativamente ao que dizes de ser de parte a parte a responsabilidade dos pais concordo mas acho que só o é verdadeiramente a partir de uma certa idade (ainda que meses) da criança.

      Pessoalmente, o trabalho que tenho hoje não é, de todo aquele que desejo manter e onde penso ser possível evoluir tanto quanto desejava profissionalmente para me sentir realizada. Não me estou a queixar, sou muito grata e estou satisfeita agora mas se for muito franca comigo própria, não posso dizer que este é o trabalho que quero ter por mais 5 ou 10 anos, entendes? É também nesse sentido que falo porque se eu agora decidir ir atrás da minha carreira e desse emprego que eu sonho um dia ter não conseguirei por em marcha tantos outros planos a nível pessoal, que PARA MIM fazem sentido nesta altura da minha vida (casar, comprar casa, ter filhos, etc). Acaba um pouco por ser aquela máxima das "condições ideais", se ficarmos à espera delas, muita coisa não se faz, quando na verdade não são impedimento e acredito que quando as queremos devemos avançar apesar de não termos as condições ideais (tendo as necessárias!).

      "Não acho que seja impossível ser mãe antes dos 30, mesmo que tenhamos entrado no mercado de trabalho mais tarde. É uma questão de organização pessoal, financeira e de fazer os sacrifícios necessários para o atingir. Não podemos esperar ter filhos num clima de instabilidade financeira e ainda assim querer manter um estilo de vida que exige um certo nível financeiro. São escolhas." Não podia concordar mais! Penso exactamente assim. O que quis transmitir no meu texto foi o facto de EU, neste momento, sentir que tenho de optar por ter filhos ou perseguir a carreira profissional que um dia desejo ter.

      Obrigada pela tua partilha :)

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  3. Percebo perfeitamente o teu ponto de vista. E concordo com ele.
    Pessoalmente, terminei o meu curso com 22 anos e tive a tremenda sorte de arranjar trabalho logo. Trabalhei sempre até hoje, felizmente. Mudei de emprego quando tive de o fazer mas sem intervalos entre esses mesmos trabalhos. casei aos 25 anos porque já tinha aquilo que eu considero ser as condições básicas. Aos 28 anos fui mãe pela primeira vez.

    Hoje em dia, há mulheres que ambicionam chegar bem longe da carreira delas. E se essa ambição for algo mesmo pessoal, um objetivo a concretizar, pode esbater com as prioridades em termos de família. Conheço uma mulher que era o número 2 da empresa onde trabalhava. Mas como mãe, chegou a admitir que tinha inúmeras falhas: um exemplo: a filha dela chegou a andar 5 dias seguidos com as mesmas cuecas porque ela nem sequer reparou nisso. Porque a vida dela era trabalho, trabalho, trabalho, trabalho. Entretanto, recebeu uma proposta quase irrecusável. Foi para Lisboa trabalhar e é paga a peso de ouro. Mas as filhas saiem do colégio sozinhas (é em frente ao prédio onde moram), vão para casa, fazem o jantar sozinhas, estão sozinhas até a mãe chegar. Uma tem 15 anos, a outra 9.

    Claro que com isto não estou a generalizar. Pode haver pessoas com carreiras de topo e excelentes mães. Mas hoje em dia, conta-se pelos dedos de uma mãe a entidade patronal que "facilita" a vida a uma mãe que queira ser excelente profissional e mãe, ao mesmo tempo.

    No meu caso, que trabalho mais de 10 horas por dia à semana, dou explicações ao sábado de manhã, quando no meu trabalho a chefe pedia para eu ir ao sábado à tarde dinamizar festas de aniversário, eu muitas vezes disse que não. Porque basicamente só me iria restar o domingo para descansar e me dedicar à família.
    Sei que frequentemente estes "nãos" da minha parte foram criticados e julgados. Mas o problema é que no meu local de trabalho, eu sou a única mãe a trabalhar lá. As restantes colegas vivem ainda com os pais, não têm namorados e a disponibilidades delas é totalmente diferente da minha.

    A este propósito, deixo-te este link com um desabafo de uma mãe: https://www.facebook.com/conversascomodinis/posts/191496768154205

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    1. Obrigada pelo teu testemunho Pimenta! Eu também conheço muitos casos em que é como o que descreves, embora também saiba que haverão com certeza excepções mas que são casos que muito dificilmente se verificam, pelo menos à minha volta só vejo ou pessoas que já têm filhos depois dos 30 (não há nenhum mal nisso, EU é que gostaria de ter antes, e é sobre isso este texto!) ou que têm filhos antes dos 30 mas ou não foram para a faculdade (que são logo uns quantos anos a mais) ou têm um trabalho diferente do que gostariam ou sonharam.

      Eu, infelizmente, devido à formação que escolhi, não terminei o meu percurso com 22 anos mas com 25 (quase 26), o que, parecendo que não, já atrasa tudo (4 anos de licenciatura + 2 de mestrado + 3 estágio Ordem). Apesar disso, casei ainda com 25. Mas só comecei a trabalhar com quase 26.

      Isto faz com que eu, se quiser ser mãe pelos 28, já tendo 27 e estando há um ano neste trabalho, chegue ao momento em que tenho basicamente de decidir se me mantenho neste trabalho, que não é o que desejava mas é estável e tenho filhos antes dos 30 ou se vou mudar de emprego, procurando o que me satisfaça profissionalmente mas sabendo que isso fará quase de certeza com que não consiga ter filhos antes dos 30.

      Infelizmente, é como diz a Sandra aqui em baixo, este país (ou esta sociedade) não fomenta a natalidade e vê com maus olhos a "mulher mãe" e a "família" ou pelo menos não vê com os olhos que deveria para que possamos crescer (a prova disso é a baixa natalidade e o envelhecimento generalizado da população)! Não há qualquer incentivo a que a mulher seja mãe e tenha vários filhos, nem se facilita a situação, por isso não há milagres e a verdade pura e crua é que, na maioria dos casos, se tem de escolher entre a carreira e a família.

      Obrigada ***

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  4. Eu abomino completamente esta forma de estar que me obrigou, aos 6 meses, a ter de ir trabalhar. Não faz sentido. Eu queria ter tido a opção de ficar em casa com o meu filho, apesar de saber que com os avós ele ficou bem.
    Este é um dos motivos porque me chateia celebrar o Dia da Mulher, aquelas mulheres foram egoístas e não pensaram que nem todas nós queremos ter todos os direitos iguais aos homens. Nós somos diferentes e num país, como Portugal, ainda se nota mais essa diferença porque não existe respeito pelas mães, pelos horários laborais, pela família.
    Eu queria ter estado em casa com o meu filho, pelo menos até aos 3 anos, quem sabe até ter muitos mais filhos mas o meu país não deixou e eu até tenho um bom horário (mas não me posso encostar a isso porque pode mudar de um dia para o outro-infelizmente)

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    1. Efectivamente, não facilitam a vida a quem quer ser mãe, muito menos quem se atreve a desejar ter mais do que um filho! Enfim...infelizmente concordo com o que dizes e não há muita volta a dar.
      Ainda bem que o teu filho teve a sorte de poder ficar com os avós porque muitas vezes os avós ainda estão a trabalhar ou então já são demasiado velhos para ajudar a cuidar de um bebé (ou simplesmente já não estão para isso). Acho uma violência ter de deixar um bebé aos 6 meses no berçário porque os pais têm de trabalhar. Na creche ainda me calo e acho que até pode ser benéfico para eles mas aos 6 meses não me faz sentido...
      Obrigada pela tua partilha e testemunho!
      Bjs

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  5. Nem sempre o planeado acontece.A vida troca-nos as voltas mas mostra-nos sempre o melhor caminho. O teu coração dir-te-à o que é melhor para ti e para a tua família.
    Eu fui mãe, pela primeira vez, aos 38 anos e pela segunda vez aos 40. Foi a altura que escolhi, os 2 planeados. Efetivei bem antes, na função pública. Terminei o curso com 22 mas continuei a estudar. Fui professora, fiz mais formação e mudei de área. Acho que efetivei aos 32, altura em que comecei uma relação mais forte. As coisas proporcionaram-se desta forma. Tive 4 meses de licença mas depois ficou ela em casa com o pai (tinha um trabalho que lhe possibilitava) até quase aos 5 anos. Eu tenho um bom horário. O segundo também ficou com o pai até quase aos 3 anos (já menos, o segundo quebra-nos mais ;).
    Segue o teu coração. Nunca temos a certeza de como será... a vida faz-se no dia-a-dia.
    bj

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Obrigada pelas tuas palavras!

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