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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O Natal

Eu já sabia que este assunto ainda me traria grandes dores de cabeça (literalmente e não só). Não me enganei. Não foi fácil chegar a uma conclusão, ficámos sempre num impasse, em que nada se decidia e os dias iam passando. Eu fui vendo viagens, pelo sim pelo não. Tinha muita vontade de ir passar o Natal com o meu pai, a minha irmã e a minha avó, ainda que eu quisesse também estar com o G. e ele me tivesse dito que não iria. Assumi esse facto (ele não ir) e decidi ainda assim que queria ir. Talvez no mesmo dia encontrei uma viagem a um preço interessante reservei e achei que podia ir. 

Mas antes disso decidi esclarecer a minha suspeita de que ele não queria mesmo ir.
- Quero fazer-te uma pergunta mas preciso que me respondas com franqueza.
- Mau, assim até fico com medo do que aí vem...
- Se tivesses dinheiro ias à terra passar o Natal comigo?*
- ...não - quase sussurado.


Contei-lhe que tinha tomado a minha decisão - de ir lá passar o Natal. Veio a discussão.
Quando ele percebeu que eu tinha tomado a decisão de ir sem ele e que passaríamos mais um Natal afastados, disse-me que ficou magoado com a minha atitude, porque não tínhamos decidido nada os dois, eu tomei a decisão sem "me importar com ele"... e disse que ia comigo, apesar de tudo. Eu não quis que ele fosse contrariado mas ele disse que faria o que fosse preciso para estarmos juntos, ainda que eu tenha decidido só, que fosse tarde para avisar os pais dele e que não tivesse dinheiro para tal (razão essencial que ele apontou desde sempre e seu argumento principal - daí a minha pergunta* para tirar dúvidas de que era só uma "desculpa"). Assim se reservou uma viagem para ele, para os mesmos voos que a minha - mas que implicava ele ter de faltar ao trabalho dois dias, em outras datas os preços era estupidamente absurdos.
Essa noite, até depois das 3h da manhã, chorei compulsivamente. Não consegui parar e sentia-me verdadeiramente miserável.

No dia seguinte mal podia acreditar mas já achava que era verdade e pensei mesmo que este Natal lá estaríamos, juntos, finalmente. É impressionante como o meu estado de consciência, espírito e convicção mudaram tanto em tão pouco tempo. Primeiro não sabia o que seria este Natal, depois decidi ir e já dava por certo estarmos separados, depois ele já ia também e parecia ideal...mas não era porque nada era certo ou estava confirmado.

A minha viagem estava reservada, tal como a dele, até às 20h de ontem. Procurei mas não havia outras datas e os preços eram sempre muito mais altos. Ontem, ele chegou do trabalho pelas 17h e as 18h já tinha uma conferência, até às 20h. Eu fui com ele. Mas ainda não tínhamos nada decidido e lá estávamos nós, em risco de ficar sem a reserva, de não poder ir, de não saber o que fazer ou esperar. Eu sai da conferência antes dela terminar para voltar a procurar viagens, via outras alternativas e ele acabou por ir ter comigo pouco depois. Eram 19.30h. 
A alternativa era uma viagem noutras datas, sem que ele tivesse de faltar ao trabalho e ele escolheu essa. Eu insisti que queria a outra e ...tínhamos mais uma indecisão. Para mim aquilo não fazia sentido: íamos pouco tempo, ele não ia comigo, queria vir para almoçar algum dos dias com os seus pais e irmã (sem se lembrar que se para o ano nós passássemos cá o Natal eu não teria uns dias para estar com os meus como ele reivindica e o que alega para virmos de lá mais cedo).

Liguei ao meu pai. Ele acabou por me chamar à razão - como em outras vezes já o fez. Não esperava ouvir o que me disse. Liguei para lhe perguntar se ele podia pagar a minha viagem, aquela que tinha reservado sozinha - e o G. iria como e quando entendesse, eu asseguraria a minha ida.
O meu pai disse-me, como sempre, "Tu é que sabes", que é a pior coisa que se pode dizer a alguém que pede uma opinião mas é sempre o que ele diz. 
- Mas o que é que o papá acha? Não há mais baratas, já perdi a outra anterior (mais barata), acho que só se for esta...
- Filha, mas tu também querias que o G. viesse, não é? O papá compreende...
- Pois, eu não sei se ele conseguirá ir, é que ele tem de faltar ao trabalho se for na mesma que eu.
- Pois é, é muito dinheiro e já é em cima da hora...
Eu percebi que afinal aquilo tudo podia ser apenas um capricho meu e para o meu pai nem sequer fosse confortável pagar aquilo.
- Não sei - disse eu...
- O papá pode pagar a viagem, faz-se um esforço mas paga-se...mas eu também percebo que não possam vir aqui. Depois nem que seja para Janeiro que o dinheiro de uma viagem dá para comprar duas... 
- Pois, é um abuso os preços que eles pedem agora. É mesmo muito dinheiro, é difícil assim, ainda por cima em cima da hora... Tenho de ver... Eu vou falar com ele.
- Fala com o G. filha. Eu gostava e queria muito ter-vos aqui para passarem o Natal com a gente mas eu compreendo que é muito difícil e se não for agora, estamos juntos mais para a frente. Mas se tu quiseres o papá pode pagar a tua viagem.

Não consegui evitar chorar quando percebi que não era justo pedir ao meu pai para gastar aquele dinheiro, nem ao G. fazê-lo quando nem o tem...percebi que, para mim, neste momento, era um autêntico luxo ir a casa passar este Natal. Desliguei a chamada dizendo ao meu pai que falaria com o G. porque já mal consegui dizer uma palavra sem que ele percebesse o que se passava. Desatei a chorar quando percebi que querer lá passar o Natal como tanto gostava, não passava de um capricho e isso deixou-me (deixa-me!) realmente triste ...mas é a realidade. 
O G. insistiu, disse que não queria que aquilo fosse assim, que não me queria ver assim tão triste e que pagaria a dele e ligaria ao meu pai para pagar a minha. Foi preciso impedi-lo de o fazer. Gritei-lhe que não, que não íamos a (minha) casa no Natal, já lavada em lágrimas.


E assim, este será o primeiro ano da minha vida em que não estarei em casa pelo Natal, não verei o meu pai nem, a minha irmã, nem a minha avó. Mas também o primeiro que passarei ao lado dele, que é o homem da minha vida. 
Fico muito feliz por poder passar com ele, aliás, é o meu único consolo por estar longe dos meus, mas é tão triste perceber que tenho de optar entre a felicidade de estar com a minha família ou a alegria de estar com o homem que escolhi para mim nesta altura tão especial do ano.

Mais uma vez o meu estado de consciência e convicção mudaram tanto em tão pouco tempo: estava convencida que lá passaríamos o Natal e que estaria em casa por essa data, com ele e com os meus mais queridos e depois percebi que aquilo não podia passar de uma fantasia que se desfez como um baralho de cartaz, num abrir e fechar de olhos, sem pestanejar, nem pelo que eu já tinha acreditado.

3 comentários:

  1. Deve ser realmente complicado .. mas aproveitas depois, quando elas estiverem mais baratas. E pró ano será melhor. Começas a juntar já algum todos os meses e como objectivo a viagem!
    E depois é mais fácil :)

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  2. Obviamente tu é que sabes, mas eu acho que tomaram a melhor decisão...
    Lembra-te sempre que o Natal é quando o Homem quiser, e neste caso a verdade é que em Janeiro poderão ir os dois por um valor muito mais baixo, e se calhar como organizam noutros timmings até conseguem ficar mais uns dias...
    Força, aguenta-te...
    Beijinhos

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  3. Este ano também irei passar o Natal apenas com o meu Homem e ainda não sei muito bem o que irá ser de mim...

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Muito obrigada pelas tuas palavras!