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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Combinação perfeita de condições (des)favoráveis


Tenho tido dias difíceis. Em que mal me consigo suportar. Há alturas em que, do nada, sem mais nem menos, só tenho vontade de chorar, sem filtros, sem vergonha, desalmadamente. Não sei porquê ou talvez saiba...são muitas coisas a acontecer à minha volta e eu pareço estar sempre no mesmo sítio, imóvel, a nível profissional. Isso está a consumir-me. Porque não sei o que fazer, porque não posso dizer que saiba o que quero e por isso me sinto meio perdida no meio de toda uma dimensão desconhecida e inócua.

Custa muito ter de estar sempre e constantemente a fazer contas à vida a ter uma ginástica orçamental desmedida e ainda mais custa que mais ninguém o veja, ou melhor, sejamos francos, que as pessoas com as quais colaboro profissionalmente não o vejam. Eu sei que sou ainda estagiária, que não consegui passar aos exames e dependo de um recurso e só depois disso serei aceite à derradeira prova final. Também sei que ainda tenho muito que aprender, que ensinar dá trabalho e exige tempo e que não sou tão útil e produtiva quanto um profissional noutras condições (que não de formação ainda como eu). Mas é ou não é verdade que eu faço trabalho, por muito pouco que seja eu faço algum. Estou lá quando me querem, faço o que sou capaz e tento evoluir mas a motivação, confesso, é cada vez menor. Porquê? Porque não há qualquer incentivo. Porque eu faço cerca de 60km para lá ir, porque isso implica gastos e custos, porque não recebo um único cêntimo por ou para isso. Disponho do meu tempo, embora também saiba que consumo o tempo de alguém, tento mostrar-me sempre disponível e empenho-me. Faço o que sei e está ao meu alcance, tento fazer o melhor e há trabalho que efectivamente faço e do qual o responsável pela minha orientação/formação se livra por ser eu a fazê-lo. Por muito pouco que isso seja, sempre é alguma coisa que ele não tem de fazer. Mas, além da experiência e da aprendizagem que isso me traz - e que não quero, de todo, desvalorizar - nada mais recebo em troca. É muito desmotivante, é desanimador e frustra. Não é fácil manter-me motivada, interessada e esperançosa. Já não sei se é isto que quero para mim. Não estamos a falar de um, dois, três ou seis meses. Não estamos a falar de um ano, estamos a falar de mais de dois anos nesta situação. E eu pergunto-me: será que o meu patrono não para um segundo que seja para pensar que eu tenho de viver, de comer, vestir, calçar e deslocar-me para lá estar!? Será que isso não conta nada? Será que que não pesa?! E será que a vida dos outros é assim tão insignificante ou indiferente? Porque ele convive comigo. Será que nunca parou um segundo que seja e reparou no que esta condição implica para mim? Não quero ser ingrata pois sei o quanto já cresci, aprendi e evolui graças a lá estar mas também não consigo considerar justa esta forma de agir.

Com tudo isto e além disso, temos tido dias difíceis, sem tempo para nós, com muita pressão e exigência, capazes de nos levar ao limite das nossas forças, verdadeiramente desafiantes. Mais uma vez, sei como somos abençoados por tudo o que graças a Deus temos conseguido alcançar juntos e sei que há Alguém lá em cima a olhar por nós, caso contrário não teríamos conseguido chegar até aqui pois o nosso percurso, apesar de sinuoso, tem sido muito, muito abençoado. Mas há dias em que me sinto esgotada, em que não consigo entender como é que pode ser justa a nossa condição. Ele trabalha além do limite das suas forças e fá-lo sempre com todo o empenho e carinho - nem sou capaz de expressar como o admiro por isso e como me orgulho dele - mas acabo sempre por achar que não é justamente recompensado e eu sinto-me uma inútil, sem conseguir ajudá-lo de alguma forma. É muito complicado lidar comigo mesma diante destas condições.

Independentemente de tudo isto, sei que me tenho de recordar diária e constantemente que sou muito abençoada por estar onde estou e ter o que tenho e tenho muito que agradecer por isso mesmo. Sei que tenho de acreditar que tudo isto tem um propósito superior e manter a fé e a esperança em dias e condições melhores. Porque o bem mais precioso de todos foi-me concedido: o do amor.
E sim, é verdade que o ser humano, imperfeito como é sua tão vincada característica, só dá valor às coisas mais preciosas que tem na sua existência quando est

2 comentários:

  1. Nem imaginas como me identifiquei com isto. Não necessariamente na questão do estar a estagiar sem receber, porque de momento ainda nem a estagiar estou...

    Estes últimos tempos não têm sido os mais fáceis, esta procura de emprego consegue ser desgastante e levantar muitas dúvidas. Também eu não sei exactamente o que quero, e nestes momentos ponho tudo ainda mais em causa. Também me sinto "imóvel"... tudo à minha volta acontece, todas as pessoas vão tendo os seus percursos, e eu sinto-me presa no mesmo sítio há demasiado tempo. Sei que em parte a culpa foi minha, pela questão de demorar muito na tese, como já falámos, mas custa. O tempo avança demasiado rápido e não consigo encontrar as oportunidades que queria e que gostava... Há dias em que me sinto mesmo perdida. Enfim... Desculpa o meu desabafo também, mas realmente identifiquei-me muito com o "sentimento" que transmitiste com o teu post.

    Espero que as coisas melhorem por aí o mais rapidamente possível! Como já te disse noutras vezes, desejo-te tudo de bom. Temos que ter força e não desistir!! Aproveitar as coisas boas da vida, agradecer por todas as bênçãos que temos... e acreditar que dias melhores virão :)

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  2. A tua situação não era a melhor, mas como vês, tudo melhora! O importante e aquilo que tento sempre levar, são as palavrinhas da imagem que ilustra o post. Fé, esperança e amor são o nosso pilar! Não é à toa que fiz uma tatuagem que significa precisamente estas palavras :) A vida tem os seus altos e baixos, talvez precisasses de passar por esta fase má para agora receberes dias melhores.

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Muito obrigada pelas tuas palavras!