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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Dar e receber

Tivemos a sorte de há umas semanas alguém se ter oferecido para nos DAR uma tábua de engomar. Fazia-nos falta nesta casa, temos mais espaço e a tábua mini que o G. tinha das outras casas acabou por raramente ter sido usada porque aquilo não dá absolutamente jeito nenhum. Perguntei se alguém tinha para dar num grupo do qual faço parte de doações e alguém se ofereceu.

No dia e à hora marcada lá fomos nós num fim-de-semana. Por momentos pensei que pudesse ser uma brincadeira de mau gosto: entrámos num prédio muito, muito antigo, sem luz e em muito mau estado. Julguei que a qualquer momento o chão debaixo dos nossos pés se desfizesse em pó. Subimos até ao quarto andar muito a medo, confesso, mas encontrámos dois grandes sorrisos, simpatia e muita generosidade. Entrámos e era um apartamento antigo, que estava a ser esvaziado por duas senhoras. Ao mesmo tempo que me apresentou a tábua de engomar disse que tudo o que lá estava era para dar e perguntou se queríamos alguma coisa. Eu fiquei sem reacção e cheia de vergonha de pedir alguma coisa. O G., mais prático, disse que os candeeiros nos faziam falta (e fazem, não temos nenhum candeeiro de tecto em toda a casa) e mostraram-nos todos os que tinham dizendo logo que no-los davam. Nesse dia não os trouxemos porque a casa ficaria sem luz mas ficou combinado que no final de terem dado as coisas os podíamos ir buscar, que nos diriam, mais tarde. Ainda assim, naquele sábado, viemos com dois candeeiros de mesa de cabeceira (lindos!) antigos, super originais e com um pormenor digno de museu. A DD que tinha ido connosco trouxe uma cadeira antiga, linda, super diferente que, pintada, ficará um espanto. Além dos candeeiros de tecto prometeram que ficaria para nós também um bengaleiro que lá tinham e talvez um móvel para a entrada, pequeno, com espelho (mas que esse talvez alguém ficasse, porque já tinham falado primeiro).


Pouco tempo depois (acho até que no mesmo dia ainda), uma das senhoras publicou no dito grupo de doações que davam um roupeiro, que eu tinha visto (aliás, vi o quarto completo quando lá fomos buscar os candeeiros) e achei giríssimo, mas que tinha percebido que já estava dado e, por isso, nem falei do assunto quando lá estivemos. Pedi-lho e prontamente recebi "Dou com todo o gosto"! Ficámos de lá ir buscá-lo quando os candeeiros já pudessem ser tirados. Seria o roupeiro para o quarto de hóspedes. Temos um antigo mas em bom estado só que não tinha nada a ver com o quarto e este que estavam a dar era precisamente como a restante mobília, aquela que recuperámos e pintámos, seria perfeito para lá. Fiquei mesmo contente quando soube que podíamos ficar com ele.

Passou-se algum tempo e a senhora contactou-me há mais de uma semana. Combinou-se que lá iria no Domingo passado mas no sábado à noite o carro teve aquele incidente e não tínhamos como ir buscar as coisas. Pensei que poderia ser pretexto para, querendo as pessoas resolver logo as coisas, não podermos ficar com ele, sendo dado a outra pessoa que o fosse logo buscar. Falei com a dona das coisas e expliquei o que se passara e porque não poderia ir no dia combinado. Sem mais, disse-me que ficaria para o Domingo seguinte. Eu mal podia acreditar. Ontem lá fomos nós depois do almoço.

Tínhamos de ser rápidos porque, não havendo luz na escada, teríamos de aproveitar a luz do dia. Chegámos pelas 15.30h, não conseguimos antes. Começámos logo a desmontar o roupeiro e até correu bem, embora um parafuso mais teimoso nos tenha levado mais tempo e paciência. Para levar tudo para baixo, o G. foi o herói e levou tudo num instante, quase sozinho, apenas com uma pequena ajuda de um vizinho das senhoras que nos davam as coisas. Os candeeiros foram tirados pelo mesmo vizinho, enquanto se levava o roupeiro para a porta do prédio, o que nos facilitou imenso o trabalho. Entretanto ofereceram-nos também uma pequena mesinha, pé de galo ("diz que dá sorte" disse a dona) e um quadro lindíssimo, com bailarinas, que eu tinha namorado enquanto desmontávamos o roupeiro - não o pedi mas pouco depois de o terem ido buscar ao quarto perguntaram-me se o queria! Ajudaram-nos imenso na arrumação das coisas no carro - juro que pensei que aquilo não ia caber tudo. 

Fizemos uma só viagem, conseguiu meter-se tudo dentro do carro (um roupeiro de três portas, uma mesinha, um bengaleiro e três candeeiros) e fizemos o caminho até casa com os bancos puxados o máximo para a frente (nem sei como o G. coube) e com as peças quase nas nossas cabeças (no caso do G., ainda deu umas quantas cabeçadas). Quando chegamos a casa, esvaziamos o carro, pusemos tudo dentro do prédio e levou-se tudo para cima (quase quatro andares, sem elevador), limpou-se e montou-se tudo outra vez. 

O roupeiro está em óptimo estado, é lindo e fica super bem no quarto de hóspedes, além de que tem espelho na porta do meio (é o único espelho de corpo inteiro da casa, nunca tivemos um, aliás, eu desde que estou em Lisboa acho que nunca tive um!). O quadro das bailarinas também ficou no quarto de hóspedes e muito bem na parede que estava ainda despida, dá logo outra vida à divisão. Só não se conseguiu pôr o candeeiro de tecto, conjunto dos das mesinhas (porque não encontrámos a caixa de transmissão no tecto para o podermos ligar), mas com calma o faremos. A mesinha pé de galo foi direitinha para a sala, é ideal para dar apoio aos dois sofás, estava um cantinho lá há tanto tempo, quase parece que à sua espera mesmo! O bengaleiro em princípio será a prenda de Natal da mãe do G. Talvez o pintemos e lhe demos um ar diferente... por agora está no hall a segurar malas e lançar o seu charme.

Ficámos tão contentes de ter trazido estas coisas, de nos terem dado peças tão bonitas e únicas, cheias de história... (estou mesmo apaixonada por elas)! Tive de mandar uma mensagem ontem à noite, depois da estafa de fazermos aquilo tudo, a agradecer a generosidade daquela senhora, anexei as fotos dos candeeiros de mesa no quarto (fazem um efeito tão giro) e só pude dizer "obrigada" por tudo. Hoje tinha resposta da "ex dona" a agradecer as fotos, a dizer que dar e ajudar a fazia feliz, ainda mais a pessoas "especiais" como nós, desejando-nos muita felicidade. Eu nem sabia o que dizer a isto, só posso, mais uma vez, agradecer esta bênção e dádiva. Aquelas pessoas sim, são especiais.


E este posso considerar o nosso Natal mais cedo! Não apenas pelos bens materiais que pudemos trazer para a nossa casa mas principalmente porque conhecemos pessoas tão generosas que eu julgava não existirem sequer, bondosas e que nos ajudaram só porque isso as deixa felizes, mesmo não nos conhecendo de lado algum. Esta é a dádiva mais pura e genuína que se pode receber. Obrigada Senhor, por teres por nós umas quantas estrelinhas, por nos iluminares o caminho e nos conduzires os passos. Obrigada!

1 comentário:

Muito obrigada pelas tuas palavras!