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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Um aniversário memorável #2

Apesar de já terem sido surpresas suficientes as que partilhei aqui, o meu marido este ano não deixou por menos e esmerou-se. Foi um fim-de-semana de mimos e surpresas muito boas, umas atrás das outras.

O marido reservou para o deitar a entrega das prendas materiais: um relógio e uma mala. O que mais pode uma mulher desejar? Eram duas coisas que me estavam a fazer falta e que estavam na calha para serem compradas. O relógio ele já sabia qual era o que eu queria e a mala também tinha de cumprir alguns requisitos mas ele teve bom gosto e eu adorei as prendas. 

Passámos o dia seguinte ao do meu aniversário (que coincidentemente era um sábado) no Porto, a passear e a tentar aproveitar ao máximo o tempo que nos restava. "Restava" porque o homem disse que era melhor regressarmos a casa a seguir ao almoço. Eu não percebi muito bem porquê mas não fiz muitas perguntas e limitei-me a obedecer. Quer dizer, não fomos logo a seguir ao almoço. Ainda estivemos a passear por ali e só saímos da Invicta quando o sol se pôs (+/- 18h).

Os meus padrinhos não foram connosco. Quando chegámos a casa eu confesso que estava meio desconfiada e quando abri a porta espreitei lá para dentro e dei um pulo com o "surpresa/parabéns" que recebi dos amigos que ali se tinham juntado secretamente. Bem que eu suspeitava. Abracei cada um, vi a minha sala com uma mesa farta e cheia de balões e recebi outros amigos que só se conseguiram juntar a nós mais tarde. 


Então o homem tinha deixado a comida preparada desde o dia seguinte escondida e os nossos amigos só puseram no forno e fizeram os petiscos, decoraram tudo e esperaram que nós chegássemos. Bem que eu sentia o moço inquieto! Eu tenho um faro daqueles mas nem que me esforçasse podia imaginar tanta coisa incrível. Aquilo é que foi uma maratona de surpresas que ele engendrou! E embora possa ter desconfiado, a maioria passou-me completamente ao lado. Foram três dias esgotantes por tanta coisa que fizemos e tanto que quisemos aproveitar (afinal o meu pai só ficou até segunda de madrugada) mas o meu coração transbordava de felicidade e gratidão. Nunca tinha tido tanta surpresa maravilhosa junta!

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Um aniversário memorável #1

Tenho tido a sorte de, nos últimos anos, ter tido dias de aniversário especiais porque tenho recebido visitas surpresa muito especiais (dos que me são mais queridos e estão longe, o meu pai e a minha irmã) mas como isso aconteceu nos dois últimos anos, já me tinha convencido que desta vez teria de ser diferente. Então, não sei por que carga d'água meti na cabeça que este ano o marido me ia preparar um jantar de aniversário surpresa, com os meus amigos. Não estive assim tão enganada mas estive longe de imaginar o que ele me reservara para aquele dia.


Se no ano passado tinha acabado de entrar no trabalho onde estou e não tinha como não trabalhar no dia do meu aniversário, este ano era diferente e até ponderei pôr o dia de férias para poder ficar sossegada mas depois pensei que seria melhor aproveitar o dia de férias para quando o homem também pudesse estar comigo porque ele não escolhe as férias dele, são fixas, de acordo com calendário anual de actividade do seu trabalho. Assim sendo, fui trabalhar no dia do meu aniversário.

O homem disse-me para reservar a noite para ele. E foi assim que eu me convenci que ele me prepararia um jantar de aniversário surpresa, com os meus amigos. Mais, eu tinha tentado organizar um jantar de aniversário mas curiosa e misteriosamente ninguém podia ir. Não é estranho de todo porque já várias vezes me aconteceu, dada a época do ano, muita gente do meu círculo de amizades próximas, não estar disponível para comparecer à comemoração do meu aniversário. Por um lado desconfiei mas por outro também achei que podia somente estar a acontecer novamente o que já em outros anos aconteceu de ninguém poder mesmo. Lá me deixei ficar com os meus pensamentos e teorias, tentando não dar muita importância à coisa.

Na noite antes, vi, sem querer uma conversa de whatsapp do telemóvel do G. que tinha o título de "Jantar de anos da V". Bem, nem sabia bem o que fazer mas disse-lho, convencida que tinha arruinado a surpresa mas, simultaneamente, que não podia fingir não ter visto. Ele disse-me que realmente tinha tentado organizar um jantar e reverter a questão de a maioria não poder ir mas que não tinha conseguido. Ainda assim, admirei o seu esforço na tentativa de me iludir mas continuei a achar que era só uma manobra e que me esperava um jantar surpresa no dia seguinte.

Passei o dia a trabalhar mas fui mimada pelos meus colegas de trabalho que, sendo eu a benjamim da empresa me trataram muito bem. Fomos almoçar fora todos, ali perto e depois partimos o bolo que eu levei. Até tive direito a prenda de uma das colegas.

O G. pediu-me para sair mais cedo e eu até estava para o fazer mas acabou por surgir algo urgente para resolver e só sai pouco antes da hora normal, já ele estava em casa à minha espera. Por isso, passei a apanhá-lo e nem subi, seguimos logo. Eu ia a guiar mas ele era quem indicava para onde ir.
Conforme nos fomos afastando cada vez mais da capital, fui-me apercebendo de que me tinha enganado quanto aos planos surpresa do marido. E aí pensei "pronto, vamos passar o fim-de-semana fora" e isso deixou-me mais que satisfeita.

Foram quase três horas de viagem até que avistámos o Douro e a Ponte Dom Luís I e aí soube que o nosso destino era a Invicta. Fiquei muito contente porque apesar de já conhecer a cidade, ainda não conseguimos lá passar algum tempo, para conhecê-la melhor e a aproveitarmos tranquilamente. Ali estava a nossa oportunidade, pensei!


Estacionámos num parque e subimos para um hotel onde jantaríamos, disse-me ele. Eu, como lhe tinha feito algo do género no aniversário dele, não me atrevi a questionar ou indagar, então nem fazia perguntas, só magicava internamente. Entrámos no restaurante quase vazio e quem é que lá estava para jantar connosco? O meu pai e a namorada!!!

Ela tinha-me confidenciado no Natal que lá iriam passar uns dias mas tinha-me dito que seria em Março. Tanto que quando chegámos ao Porto eu comentei isso com o G. e o dissimulado ainda me disse algo como "pois, eu lembrei-me disso, é chato virmos duas vezes com tão pouca distância uma da outra mas olha, achei que devíamos vir na mesma".
Sentá-mo-nos e pedimos uma bebida para brindar o aniversário e, de repente, aparecem sabe-se lá de onde, os meus padrinhos de baptismo! Eu nem queria acreditar!

(Continua...)

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Casei # entrada da noiva na igreja


Foi mais ou menos com este fundo que eu entrei na igreja e caminhei até ao altar para me casar.
Infelizmente não tenho a gravação do que foi tocado na nossa missa mas foi semelhante ao vídeo acima. E se alguma vez pudesse ter tido dúvidas, sempre que ouço o início tenho a certeza que foi a música perfeita para acompanhar os meus passos em direcção ao meu marido, naquele dia tão especial. 
Entrei na igreja de braço dado com o meu pai, com a minha irmã atrás, seguida dos nossos padrinhos. Percorrer aquele espaço entre a porta da igreja e o altar pareceu-me uma verdadeira jornada porque vivi tanta coisa tão bonita que as palavras não poderão nunca explicar.
Cheguei à porta feliz e serena mas entrei sorridente porque vi todas as pessoas que nos eram mais queridas e especiais naqueles bancos, a olhar para mim e para o meu pai, de um lado e de outro. Sorriam-me e diziam-me que estava linda, desejando-me felicidades e os seus olhos falavam mais do que era dito pelos seus lábios também eles sorridentes. O meu pai ia tão radiante que quase não se lhe viam os olhos de tanto sorriso e orgulho - não é presunção, sei-o bem.
O G. estava um pouco antes do altar à minha espera, de costas até eu ter chegado a meio da igreja. Quando aí cheguei o nosso fotógrafo deu sinal ao padrinho, que avisou o G. para se virar e olhar para a sua noiva pela primeira vez. Ele fitou-me e no mesmo instante baixou a cabeça levando a mão aos olhos. Quando me viu chorou. Eu aí tive de fazer um esforço para me conter. Vê-lo chorar não estava nos planos. Depois de ter segurado o choro durante o percurso até ele, porque vi muita gente querida emocionada por me ver prestes a casar, tão contentes e cheios de amor, foi a maior riqueza que experimentei naquele dia. Foi mágica aquela sensação, aquela felicidade tão plena por ser partilhada por tantos corações, foi mágico e ficará para sempre na minha memória. Quando vi que tinha emocionado o G., continuei a sorrir na sua direcção mas não contive uma lágrima que se me escapou do canto do olho. 
Ali me despedi do meu pai, pedindo-lhe um beijo que ele de tão nervoso e contente cumprimentou o G. mas não me soltava nem sabia muito bem se ia embora e fiz o restante caminho, depois de um beijo na bochecha, com o meu homem. "Estás linda!" sussurrou-me.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Consegui! Consegui! Consegui!!!


Confesso que ainda não estou em mim. Ter sido aprovada na derradeira prova final fez-me sentir que tinha cumprido o meu dever (não é um dever para com mais ninguém senão para comigo mesma, acima de tudo!). É como ter conseguido chegar ao cimo da montanha mais alta do mundo, como ter atingido a meta em primeiro lugar, depois de uma maratona de esforço, como ter terminado uma jornada em que esforçámos o nosso corpo até ao limite das nossas forças e capacidades. É um alívio e uma sensação de superação indescritíveis. Eu consegui! Sim, eu consegui! É mesmo verdade, aconteceu! É real e mal consigo, ainda que já passados alguns dias, acreditar! 

Pode não ser uma grande coisa mas era o meu grande objectivo, um desafio e uma meta muito importante. Passaram-se muitos anos desde o início da minha formação superior, passaram muitas pessoas pela minha vida, muita coisa aconteceu, muita coisa mudou. Chegaram ao fim cerca de sete anos e cinco meses! Foram anos muito enriquecedores mas sem dúvida os que mais me testaram, aos mais variados níveis. Passaram por mim muitas pessoas especiais, umas ficaram, muitas saíram da minha vida. Muita coisa aconteceu, muitos desafios mas também muitas conquistas. Ganhei pessoas, perdi pessoas... Cresci, envelheci, aprendi. Foram anos de muita mudança, de muito crescimento e evolução pessoal, acima de tudo. Terão sido, com certeza, anos cruciais da minha vida, que ditarão muito do rumo que ela seguiu ou seguirá.


Chorei muito, ri muito, vivi muito. Dei tanto e recebi mais ainda. Fui muito feliz e muito infeliz. Posso dizer que provei um pouco de tudo o que havia no meu caminho. Durante todo este tempo, o blogue acompanhou os meus passos e foi muito importante para grande parte do meu percurso. Sem ele (e sem vocês aí do outro lado!), não teria sido a mesma coisa. Através dele, pude partilhar o que não me atrevia a dizer, o que não me arriscava demonstrar. E isso terá sido fundamental para manter a minha sanidade mental... e para crescer. 

Sinto-me muito agradecida e verdadeiramente abençoada por tudo o que tenho tido oportunidade de viver. O bom e o menos bom. Porque tudo faz parte do caminho e porque tudo, em conjunto, permitiu-me chegar onde estou hoje e caminhar para onde estarei daqui em diante. Por tudo isso, OBRIGADA, de todo o meu coração.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Incompetência

Se as coisas funcionassem como deve ser, não eram precisas medidas drásticas ou ameaças para que o que deve ser feito se concretizasse. 


O meu pai viu o seu quintal e parte da casa serem destruídos por um carro que lá "aterrou" (literalmente, pois despenhou-se de uma estrada mais alta em frente à casa e voou para dentro do nosso quintal) no final do ano. Tem imensos danos e a casa num estado lastimável, foi reportada a situação à seguradora como seria necessário mas mesmo tendo feito a nossa parte e insistindo com eles, teimavam em arrastar a situação sem dar respostas e prolongando uma situação insustentável. Depois de vários contactos e de continuarmos, ainda assim, sem respostas nem soluções à vista por quem a isso é obrigado, apresentámos queixa à Autoridade competente.
No dia seguinte à queixa ter sido apresentada finalmente contactaram o meu pai a avisar que o perito iria averiguar os estragos (isto quase um mês depois do acidente!) para (finalmente) darem andamento aos procedimentos necessários à resolução do caso.
Agora digam-me se era necessário fazer queixa da seguradora para que fizessem o seu trabalho!?! Não era mais fácil terem feito o que deviam sem para isso ser preciso pressionar, ameaçar e queixar-nos? Enfim...agora é esperar novos desenvolvimentos.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

O carro "dos noivos"


Quando pensamos em carro "dos noivos", pensamos que, se pudéssemos, escolher teríamos um carro clássico, com pinta, a levar-nos na primeira viagem que partilharmos depois de casados.
Infelizmente não temos nenhum clássico na família e nem conhecemos ninguém com um por isso, primeiro vimos preços de carros para alugar para o dia do casamento. Até vimos preços em conta, mas pagar 100/200€ por um cerca de uma hora de utilização (se tanto!) de um carro não estava nos nossos planos. Temos muitas outras coisas nas quais nos faz muito mais sentido gastar aquele dinheiro. Essa opção ficou descartada.
Falámos ainda com um amigo meu cuja família tem um clássico, muito giro e super antigo. Mas o carro não está nas suas melhores condições e dado que teríamos de fazer ainda uma viagem considerável nele, também foi hipótese excluída.
Acabámos por decidir pedir emprestados dois carros iguais, a amigos nossos, que não eram clássicos mas que são uma versão engraçada de um determinado modelo. Seria um para o noivo e outro para a noiva, iguais mas de cores diferentes apenas. Pronto, a questão tinha ficado resolvida e estava tudo combinado desde Agosto.

Mas sabem quando alguma coisa não nos está a encaixar muito bem?! Era o que se passava connosco em relação a este assunto. Tínhamos resolvido, estava tratado e estávamos satisfeitos com isso mas não era bem aquilo que nos fazia sentido. Então, na semana passada pensei para mim: mas quantas portas tem aquele carro pelo qual nos tínhamos decidido?! Indaguei e só tem três. Não sendo um carro muito grande já comecei a não gostar da ideia. Afinal terei um vestido de noiva, terei de sair do carro em condições (haverá fotógrafos) e vou com o meu pai. Então achei que não era muito boa ideia. No mesmo momento surgiu-me a solução: o carro da minha irmã!!!

Não é um carro recente, muito pelo contrário, não é um carro particularmente bonito ou especial "à vista de todos". Mas é um carro com muito significado para nós. É um carro do meu pai, que está na família, foi o último a chegar mas é o mais velho e é usado pela benjamim da família, que é só uma das pessoas mais importantes da minha vida (a minha irmã). É um carro branco, por isso vamos decorá-lo especialmente para a ocasião. 
Mais uma decisão nossa que, quem está por fora, provavelmente acha descabida ou não compreende mas que para nós não podia ser mais acertada, por tudo o que representa e pelo significado que tem para nós dois.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Relativizar, Mudar e Melhorar

Estou cansada. Este calor faz com que eu tenha de fazer um grande esforço para me manter activa e motivada. Acho que o cansaço já está estampado na minha cara. Têm sido dias, semanas, meses, difíceis  e o acumular disto tudo já se faz notar.
Tenho tentado mudar a minha postura há já algum tempo, para conseguir ver o lado bom das coisas, encarar positivamente aquilo que acontece na nossa vida e ser mais agradecida por tudo o que tenho. No fundo trata-se de um trabalho interior, demorado e que só depende de mim por isso faz com este seja um processo em desenvolvimento ou construção (como lhe queiram chamar) para mim. Acredito mesmo que esta mudança de atitude tem tornado a minha vida melhor mas ainda estou no início e ainda existe muita coisa que me afecta mais do que deveria.
Tenho ainda muito trabalho pela frente em relação à paciência, à compreensão e ao não ter pavio curto com pequenas coisas insignificantes mas que me irritam solenemente. Não posso deixar que isso aconteça. Afinal, trata-se tudo de uma questão de perspectiva e relativismo. Mas é difícil mudar de um dia para o outro, são coisas que nos estão entranhadas e por isso têm de se transformar gradualmente, aos poucos e com algum esforço.
Ainda que já note melhorias no meu comportamento e na minha atitude, há dias em que só me apetece fugir para o meu canto e chorar desalmadamente. Porque não compreendo o porquê das coisas, porque não sei o que fazer e porque me sinto só nessa minha aflição. Não é verdade que eu esteja só nem é verdade que o que se passa na minha vida seja horrível. Considero-me abençoada por tudo o que tenho a honra de ter nos meus dias, pelas coisas boas, pelas pessoas especiais, pelos dias que vivo, pelas rotinas, pelo que é diferente,... há muito mais coisas boas e pelas quais devo agradecer do que aquelas que me atormentam e preocupam. Mas ainda sou muito assim: dou ainda muito valor às coisas que não são do meu agrado, às adversidades, aos obstáculos e às provações. No fundo, às "pequenas coisas" às quais só devemos dar a importância que merecem. E eu dou-lhes muito mais do que elas merecem, na verdade. Aflijo-me, choro, sofro, preocupo-me, questiono-me e sinto-me completamente perdida. E isso é uma bola de neve às vezes.


Tudo isto para dizer que os últimos tempos, as dificuldades associadas ao estágio e ao meu quotidiano, a incerteza quanto ao futuro profissional, a falta de dinheiro porque não tenho qualquer remuneração ou rendimento, os problemas dos que me são queridos, o depender ainda da ajuda de terceiros, o tempo a passar, as pequenas coisas do dia-a-dia...têm-me consumido. E se há dias em que a minha postura é a de que isto é passageiro e tudo faz parte do meu /nosso caminho, há outros em que é demasiado frustrante, em que me sinto de impotente, de pés e mãos atados e nos quais não consigo ver além dos obstáculos.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Isenção de taxas moderadoras


Fiquei elucidada e, simultaneamente, chocada com o estado do nosso sistema nacional. Então não é que descobri como funcionam os cálculos para determinar o direito ou falta dele à isenção de taxas moderadoras na saúde, porque tentei requerê-la e não conseguia, então liguei para a linha de apoio e explicaram-me. Explicaram-me primeiro que o rendimento (IRS) considerado é o de 2014 e que, apesar de ser ainda dependente do meu pai pois não tenho rendimentos e de também a minha irmã ser sua "dependente", como só ele apresenta rendimentos, então esses são "divididos" só por uma pessoa (a que obtém os rendimentos) e não pelas três que constituem o agregado.
Eu fiquei pasma com este esclarecimento. Mas "é assim que se processam os cálculos neste momento". E dei por mim a pensar no quão ridículo será uma família que, ainda que com dois adultos (pai e mãe) com rendimentos, se tiver filhos, sejam eles quantos forem, não são considerados para cálculo. Ora isto é do que maior sentido faz, não hajam dúvidas!
Realmente, não sei como me pude, por instantes, iludir achando que teria direito a qualquer isenção, permitida pelo Estado. Afinal o meu pai declara tudo o que ganha como manda a lei e é honesto!

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Prenda de aniversário

Além de ter o meu pai de visita surpresa, recebi um telemóvel pelo meu aniversário. Já há muito que o meu pobrezinho precisava de um substituto e foi desta. Já tinha o mesmo telemóvel há mais de 5 anos e não havia muita inteligência naquele equipamento. Apesar de gostar da simplicidade e de nunca me ter deixado ficar mal, já me fazia falta algo mais moderno, que me permitisse aceder à internet e ter outro tipo de funcionalidades ao meu dispor de uma forma prática. Ainda estou a adaptar-me à mudança e a explorá-lo mas não tarda será meu fiel companheiro, espero.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Dor de alma

A minha mãe não quer saber que o que mais me /nos magoa é que ela esteja fechada naquela sua bolha impenetrável, que nada do que digamos ou façamos a alcança, porque ela não permite. Ela vive no mundo que inventou e ergueu à sua volta sem conseguir ou querer ver o que se passa de verdade, sem fantasias da sua imaginação nem ciladas da sua percepção toldada das coisas.
Por muito que se lhe tente dizer ou fazer ver alguma coisa, nada absorve se não quiser. Só por sua vontade ouve, vê e acha o que a sua cabeça permite, é um ser completamente descontrolado, perdido, em plena navegação automática. É muito difícil lidar com alguém assim. É extenuante, é frustrante e dói demais. Por muito boa vontade que se tenha, ninguém é de ferro e as coisas que vemos, ouvimos e sentimos vão-se-nos infiltrando na alma. Só por lidar ou conviver com alguém assim, acabamos por ficar também doentes, porque somos permeáveis, porque não temos uma armadura capaz.
Para ela, tudo à sua volta está errado, todos estão contra ela e no mundo à uma conspiração que gira em torno dela. É verdadeiramente doentio e quase contagioso. A nós confunde-nos vezes e vezes sem conta, não nos podemos fiar porque quando damos por isso já estamos nós a achar o mesmo, porque ela tem a capacidade de nos convencer, de tão convencida que está daquilo que é uma ilusão e uma armadilha do seu pensamento.
O problema não está no ex-marido/nosso pai, no trabalho, na distância, no irmão falecido prematuramente, na casa, no que deixou para trás, nas filhas ou no dia-a-dia. O problema está dentro dela. Aliás, ela é uma incubadora de problemas, que se agigantam por serem cada vez mais e uns atrás dos outros e que se proliferam porque não são resolvidos. Mas quando será que ela irá entender isso?
Quando será que deixa de ser egoísta, fechar-se no seu mundo irreal e bombardear tudo e todos que lhe queiram bem? Caminha a passos largos para a solidão total, não restam muitas pessoas capazes de suportar mais isto de perto e não vejo solução à vista. Para mim, há já muito tempo e cada vez mais, porque se vão esgotando as esperanças e as forças, acho que só sendo internada e acompanhada diariamente esta pessoa poderia ter hipótese de ser recuperada. 


É muito triste chegar a esta conclusão mas já se passaram dias, semanas, meses e muitos anos até e nada melhorou. Quando acho que se está a reerguer novamente, não demora muito tempo até que faça de tudo para se voltar a afundar. Quando parece estar mais perto, inventa sempre alguma coisa para fazer-me afastar e a minha vontade ser para sempre.
Parece fazer de propósito, inconscientemente, mas de propósito e isto já não há quem aguente. Nem eu, que sou sua filha, tento manter-me positiva e sempre fiz de tudo para a ajudar. Estou cansada, estou mais do que magoada, estou de rastos na verdade.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A tristeza dos dias "felizes"

Infelizmente há já algum tempo que as alturas de "festa" são sempre complicadas por estar longe de muita gente querida e por ter de lidar com problemas familiares que não me deveria dizer respeito, mais concretamente em relação aos meus pais. 


No Domingo quando regressei a Lisboa tinha o meu pai à minha espera, de surpresa, em minha casa. É uma prenda de aniversário muito especial tendo em conta que já não me lembro do último aniversário que passámos juntos (quer dele quer meu) e deixou-me muito honrada e feliz! Mas agora tenho em mãos o problema de já ter falado com a minha mãe há uns dias para jantarmos hoje e ela não querer estar com ele, uma vez que não se falam, logo sou obrigada a escolher estar com um ou com outro.
Não tenho como dizer ao meu pai, que veio ver-me de propósito, de longe, que irei jantar hoje com a minha mãe e ele não pode ir. Faço o quê? Ponho-o na rua, deixo-o sozinho? Se a minha mãe não quer estar com ele eu não posso fazer milagres. Estou farta de ter de lidar com estas merdas (não têm outro nome), ainda mais sempre nas alturas em que deveria e tinha razões para estar feliz.
Afinal, quem escolhe não sou eu, é quem não quer estar comigo, seja por que motivo for. E a minha mãe prefere passar longe de mim este dia do que fazer um esforço por "suportar" o meu pai - que não é menos do que o homem que ela escolheu com o qual ter filhos.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Muito boas festas

No dia de Natal almoçámos com o meu pai e fomos jantar com a minha avó. Neste primeiro dia de 2016 almoçámos com a minha avó e passámos o resto do dia com o meu pai.
A última noite do ano contou com um espectáculo de fogo de artifício muito especial, porque afinal foi a primeira vez que estávamos cá, juntos. E depois disso pudemos estar pelas ruas animadas e cheias de gente e encontrar amigos e familiares. Só os chuviscos ora sim ora não é que não colaboraram muito para uma noite melhor.
Depois de dois fins de ano sem a minha irmã ou o meu pai, depois de dois fins de ano em que acabávamos descontentes e aborrecidos com o que acontecia e um com o outro, finalmente este foi bem mais tranquilo, estávamos serenos e mais satisfeitos com o que escolheramos fazer. Que seja um bom presságio para 2016.


Não é fácil dividirmo-nos e chegarmos a todos. É necessária alguma ginástica para gerir toda a agenda que queremos ter quando vimos cá de visita. São muitas pessoas queridas e muito pouco tempo, pelo que fica sempre alguma coisa por fazer, alguém por ver. Ainda para mais, desta vez temos de nos dedicar à procura de locais para o casamento, o que acaba por roubar-nos algum tempo, além das habituais festividades natalícias tão exigentes. 
Natal e fim de ano em casa são sempre diferentes e na companhia do meu noivo (!) não podia saber melhor. Apesar de tudo o que implica estar cá, tem sabido tão bem estar longe da correria típica do dia-a-dia, dos afazeres rotineiros e das preocupações constantes. Passar mais tempo juntos, poder descansar e fugir do que nos sobrecarrega é tão bom. São as primeiras férias que tenho em 6 anos e sabe tão bem!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

2015


Começámos o ano a discutir imenso e decidimos nunca mais passar o ano como vínhamos passando.
O primeiro dia do ano foi passado a passear e almoçámos fora.
Tive formação.
Perdi a mais antiga da família, a tia bisavó muito querida.
Fui levada a jantar fora nos meus 24 anos, por ele.
Festejei o meu aniversário entre amigos, em casa.
Fiquei ainda mais próxima do meu homem.
A minha mãe viajou para fora do país para trabalhar e desistiu.
Superei a pior semana de exames de toda a minha vida.
Vimos muitos filmes em casa.
Tive muito frio.
Encontrei o meu ex-patrão em tribunal, quando acompanhei pela primeira vez o meu patrono.
Enfrentei uma pressão que até então desconhecia e achei que podia falhar.
Esperei mais de três meses pelo resultado dos exames.
Passei nos exames da OA.
Aproximei-me de bons amigos.
Passei um ano muito difícil em termos monetários.
A minha irmã foi visitar-me.
Passei a Páscoa na minha terra.
Assisti a um acidente de carro (que por pouco não nos envolveu).
Tive de prorrogar o prazo de entrega da tese.
A minha mãe piorou e eu não pude fazer nada (e como isso dói!).
Desvitalizei um dente.
Pintámos as mobílias do nosso quarto como queríamos.
Escrevi a tese.
Vendemos móveis que não precisávamos em casa.
Apesar de não termos viajado como gostaríamos, passeámos imenso e conhecemos novos lugares.
Cortei o meu cabelo (quase pela cintura) pelos ombros.
A minha irmã atravessa uma fase muito delicada e isso preocupa-me imenso.
Superei os três anos de namoro.
Consegui aumentar a minha poupança e pô-la a render.
Desesperei com a tese.
Doamos o que não precisávamos.
Ofereci um telemóvel ao homem e preparei-lhe um dia de aniversário cheio de surpresas.
Os gatos fizeram dieta.
Recebemos pessoas em nossa casa.
Fomos ao castelo de São Jorge.
Apanhámos coisas da rua e levámos para casa.
Dediquei-me às lides domésticas.
Fomos à missa mais vezes.
Recebemos doações.
Dormi mal muitas noites.
Fui a uma festa na praia.
Fomos algumas vezes à praia.
O meu pai ajudou-me bastante, sempre que precisei.
Fui convidada para colaborar num projecto diferente mas não avancei.
Quisemos fazer uma formação mas acabou por não se realizar.
Praticamente não tive Verão.
Assistimos a concertos ao ar livre.
Passei quase todo o ano sem aulas nem trabalho fixo ou constante.
Não ter uma ocupação efectiva custou-me tanto, mas tanto.
O meu computador deixou de funcionar.
Terminei a tese e entreguei-a.
Fui a tribunal sozinha.
Cozinhei muito.
Andei à caça de promoções, sempre.
Fui a formações e conferências.
Participei mais nos trabalhos do escritório.
Fiz exercícios em casa (2 semanas).
Fomos a dois casamentos.
Apanhei o ramo de noiva e ele a liga.
Ele foi comigo a um casamento da minha família.
O meu pai fez 50 anos.
Fizemos jantares com amigos em nossa casa.
Fomos a Fátima, a Alcobaça e a Rio Maior.
Acabei por viajar três vezes para a minha terra e o homem veio comigo.
Tivemos os contadores de casa estragados.
Fiquei noiva.
Fomos a um restaurante abandonado em Monsanto com uma vista incrível.
Arranjámos padrinhos de casamento.
Ganhei peso.
Comprei mais maquilhagem e maquilhei-me mais e melhor.
Defendi a tese.
Vi muitos vídeos.
Ajudei como pude, quem pude.
Fiz prendas de Natal simbólicas.
Recebi a primeira remuneração pelo trabalho que fiz para o escritório do meu patrono.
Passei o Natal na minha terra e pela primeira vez com o meu homem.
Refiz a desvitalização do dente.
Pesquisámos muito para o casamento.
Visitámos locais para fazer a nossa festa.
Não oferecemos prendas de Natal um ao outro.
Recebemos uma máquina de café pelo Natal.
Contámos à nossa família e amigos próximos que nos vamos casar.
Experimentei vestidos de noiva.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

The cat and I

Recebemos um conjunto de chávenas de café da Loja do Gato Preto lindas! E ficámos logo com vontade de ir buscar o bule para o completar, já que também recebemos o açucareiro.

Conjunto de café, colecção The cat and I.
Açucareiro, colecção The cat and I.

Como no ano passado recebemos um conjunto de chávenas de café da colecção Lisboa (ainda por estrear), lembrámo-nos que seria uma óptima ideia trocarmos as chávenas com os gatinhos pelas de chá, para ficarmos com um conjunto de cada...a ver vamos. Bom, bom era conseguirmos trazê-las com um descontinho. As chávenas de chá, o bule, a leiteira, o tabuleiro, é tudo uma delícia. Para apaixonados por gatos como nós, esta colecção é uma aposta ganha. Para amantes de chá, o conjunto de chá e o bule seriam os ideais, embora, com a oferta da máquina de café, faça sentido terem sido as de café. E não podíamos ter ficado mais contentes com o conjunto incrível de coisas tão giras que recebemos!
Conjunto de café, colecção Lisboa.

Tabuleiro, colecção The cat and I.

Bule, colecção The cat and I.

Leiteira, colecção The cat and I.

domingo, 27 de dezembro de 2015

Nescafé dolce gusto


Recebemos uma máquina da Nescafé como prenda de Natal, uma edição especial da Agatha Ruiz de la Prada, cheia de corações coloridas. Não há como não ficar encantado com esta beleza. Até o homem ficou deliciado, é tão gira!
Nós não somos muito apreciadores de café mas aquilo dá para fazer todo o tipo de bebidas quentes, é preciso é comprar as cápsulas que embora não sejam muito baratas, podem encontrar-se em promoção volta e meia e é para usar-se uma vez por outra.
Além desta máquina linda, recebemos uma caixa de cápsulas Nesquick e café expresso. Para o conjunto completo, ainda tivemos direito a um conjunto de chá verdadeiramente irresistível do Gato Preto que fica para mostrar numa próxima publicação.
Estas foram, sem dúvida as prendas mais fashion que já tivemos. É muito à frente e mal podemos esperar para que façam sucesso lá em casa.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Seis longos anos chegam ao fim


Custou mas já passou. Conclui um ciclo muito importante mas também muito exigente para mim.
Nem sei explicar o que sinto mas é quase como se tivesse estado debaixo de água há tanto tempo que nem sou capaz de o contar e agora finalmente possa vir à tona e respirar de alívio.
Ontem chegaram ao fim quatro anos de licenciatura e dois de mestrado. Foram seis anos de experiências incríveis, de pessoas fantásticas, de aprendizagem e de momentos que recordarei para o resto da minha vida. Também foram anos de muitos sacrifícios, de dificuldades pessoais e financeiras, de solidão, de desânimo, de obstáculos, de suor e lágrimas. Mas valeram a pena porque moldaram quem eu sou hoje. E como a minha vida mudou nestes anos! Muita, muita coisa aconteceu - boa e má. Mas aqui chegada, não pelo título que vale isso mesmo (por título, já que é apensa um grau e um documento) mas pelo que passei, pelo que aprendi e pelo que conquistei, com muita luta, a ferro e fogo.
A minha formação é a minha maior conquista pessoal neste momento e foi muito importante para mim ter chegado ao fim desta longa (às vezes mais parecia interminável) caminhada. Só posso agradecer por ter aqui chegado. 2015 foi o ano em que me propus ser mestre e consegui.
Obrigada também a quem me lê, que tanto acompanhou ao longo dos últimos anos as minhas alegrias e angústias. Mesmo que ninguém me leia, este blogue ajudou-me a manter a sanidade mental em muitas alturas da minha vida, porque a escrita é terapêutica e ele não se queixa de ouvir as minhas mágoas - também ele veio no primeiro ano de faculdade e até agora me acompanha.


Apesar de tudo estou muito feliz. Finalmente terminei a minha jornada e venci o meu maior desafio!

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Estrelinha iluminada

Passados 21 meses de procura pelo farol de nevoeiro que perdi (continuo a acreditar que mo roubaram) quando bati, finalmente o meu carro recuperou todos os seus "olhos" ontem. 
Depois de uma longa espera e procura, encontrei um substituto. Na marca custava 170€ e não havia maneira de o encontrar em segunda-mão. Ora era porque nem todos os carros daquele modelo tinham faróis de nevoeiro à frente, ora apareciam mas não para aquela versão, ora porque simplesmente não aparecia... Quando já quase tinha desistido lá consegui. Mas só depois de montado e a funcionar acreditei. O melhor é que o consegui por menos de metade do preço do que na marca! 
O modelo que eu tenho foi vendido durante muito pouco tempo pelo que nem sempre é fácil arranjar as peças em segunda mão. Ainda existem muitos carros destes a circular, apesar dos seus treze anos e não são carros de que as pessoas se desfaçam por isso, quase não se encontram certas peças. Ainda mais difíceis de encontrar são peças específicas de uma versão com muitos extras como aquela que tenho - como é o caso dos faróis de nevoeiro dianteiros. 
Ontem estive no "mecânico" (não é bem mecânico mas um curioso engenhocas que se dedicou a este carro em especial, faz preços em conta, recupera e resolve muitas coisas e não leva caro) quase três horas e sai de lá bem mais pobre (110€ a menos) mas também muito mais aliviada porque resolvi algo pendente há mais de um ano e meio e fiz o que queria há já algum tempo, polir os faróis, que já precisavam. Além disso, tinha comprado um farol novo há cerca de um mês e aproveitei para substituir aquele que tinha ficado danificado (estava com silicone mas entrava-lhe humidade) também na altura do acidente. Ficou resolvido e estas pequenas coisas são capazes de nos fazer ganhar o dia.
Assim, finalmente, a minha estrelinha está completamente iluminada. Agora só peço que seja protegida e abençoada na estrada para que mais nenhum azar se nos suceda.


Para breve estão as revisões e mudanças de algumas coisas como travões, pneus, amortecedores, distribuição, etc. Mas terá de ser aos poucos e devagarinho que a minha condição económica, para já, não existe.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Meio século do meu pai!


Hoje o meu pai completa meio século de vida!
Mais uma vez não posso estar presente como em tantos outros momentos importantes da vida daqueles de quem mais gosto. Infelizmente a distância física não permite mas o meu coração está com ele neste dia especial.

Mal dá para acreditar que o meu pai tem a idade que tem. É um homem com uma história e percurso incríveis, que me deixa muito honrada em ser sua filha e poder aprender com ele. Tem muita coisa para contar e transmitir, sempre foi um lutador nato, teve muita força para enfrentar as adversidades e sempre persistiu para alcançar os seus objectivos.

Quando era menina (num tempo tão longínquo que quase já não recordo) via-o como um super-herói e não posso deixar de admitir que sempre fui a "menina do papá". Durante uma temporada nutri um misto de sentimentos em relação a ele, com muita coisa incerta na minha cabeça quanto às suas atitudes e comportamentos, quanto à sua maneira de pensar e viver. Houve fases em que o odiei e até (Deus me perdoe!) cheguei a desejar que desaparecesse das nossas vidas porque o julguei o responsável pelo que de mal acontecia na nossa família. Nessa altura não reconhecia nele aquele pai que a menina que fui teimava em recordar no fundo do meu coração. Quando olho para trás vejo que durante anos houve um vazio de pai nas nossas vidas e isso não é fácil de compreender. A ausência mói e fere corações e a distância emocional é a mais perigosa. O meu pai, de tão focado que é, durante anos trabalhou noite e dia e mal o víamos. Isso fez com que a nossa relação e proximidade fosse mais fria e distante do que se possa imaginar. Só hoje consigo compreender que o fez com o objectivo de nos poder dar sempre mais e melhor, que a educação que teve não o prepararam para ser diferente disso e que só se preocupou em trabalhar, deixando-se absorver sem consciência do que pôs em causa - a família - que, ironicamente, era precisamente aquilo por que lutava. 

O meu pai aprendeu que há coisas mais importantes do que aquilo em que se focou durante anos, aprendeu que as dificuldades por que passou na sua mocidade e aquilo que os seus pais lhe ensinaram a fazer, que era lutar para ser melhor, não podem fazê-lo esquecer que há que viver. Porque não é só "ter" que nos faz viver melhor. Porque o viver é o mais importante. Eu imagino como deve ter sido duro para ele ter sido forçado a mudar por imposição das circunstâncias da vida e como para ele deve ter sido difícil gerir e aceitar que durante anos assim foi. Hoje ele sabe-o e admite-o mas não é isso que o faz ficar a lamentar-se. Isso só lhe deu força para mudar e tentar sempre seguir em frente, da melhor forma possível. E isto só pode ser admirável.

Hoje as coisas mudaram, a vida deu muitas voltas e eu não podia desejar, em todo o universo, um pai diferente. Às vezes não sei como é possível que ele seja capaz de mover mundos para conseguir aquilo que é preciso, para nos ajudar como pode, da melhor maneira que sabe. Às vezes não sei como ele tem tanta força, tanta determinação, como é tão lutador depois de tudo aquilo por que já passou. Oxalá eu tenha herdado um quarto da sua força e já serei uma mulher invencível.


Hoje, depois das voltas todas que a vida deu, das lições que nos vai ensinando, por entre os altos e baixos de todos os seres humanos, posso dizer que nunca tive tanta certeza de que aquela menina de três ou quatro anos que um dia fui é que sabia a verdade: o meu pai é um super-herói. E nós tivemos muita sorte em tê-lo nas nossas vidas. Porque mesmo ele não sendo perfeito, mesmo com todos os seus defeitos, com o característico feitio difícil e teimosia, não podia ser melhor pai para nós. Admira-mo-lo e orgulha-mo-nos muito de como conseguiu dar a volta por cima, de como aprendeu a adaptar-se, do quanto evoluiu e do que já conquistou. Obrigada por tudo papá! Feliz aniversário e que conte muitos e bons anos felizes e que nós herdemos também a genética de nos conservarmos tão frescas e fortes aos cinquenta.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Dói assistir

A minha mãe esteve de baixa durante 10 dias. Inicialmente porque estava adoentada mas na verdade aquilo tem outro fundo, o mesmo que ainda está por tratar. Ela já é, felizmente, acompanhada por uma psicóloga e médica de família há algum tempo mas não chega. É uma verdadeira montanha russa de emoções e tanto está tudo "bem" como parece estar no fundo de um poço escuro. Eu já tentei que entenda que não serve continuar assim e ao que parece ela mesma pensou que um psiquiatra (ou pelo menos outro especialista) será uma opção a considerar e pediu encaminhamento à médica de família para ir ao hospital, embora possa demorar. A psicóloga que a acompanha está de baixa e mesmo antes disso reduziu a periodicidade das consultas (de duas em duas semanas só, uma vez por mês), o que não parece, claramente, ajudar em muito.


Já não sou capaz de estar mais próxima, ela tem atitudes tão inconsequentes, infantis e descompensadas que não posso fazer outra coisa senão não as considerar. Tenho necessidade de me afastar dela para não afundar junto. Sei que provavelmente não é o mais acertado mas eu tento evitar aproximar-me muito para me proteger, para não me magoar ainda mais tudo o que ela faz, pelo que passa, as situações em que se mete. Só desejo que ela possa melhorar mas, o que me assusta é que não estou a ver como isso possa acontecer... Muita coisa ela teria de mudar para poder recuperar e ter uma vida da qual gostasse verdadeiramente. Uma limpeza ao passado, um escrutínio se preciso fosse, parecem-me fundamentais e ela ainda não foi capaz de arrumar as coisas. Sem que isso aconteça parece-me que nunca conseguirá verdadeiramente estabilizar e (re)equilibrar-se. Teria de acontecer na sua vida uma mudança de 180º e isso, como tudo o resto nesta altura, só depende dela. Dói assistir a tudo sem ser capaz de fazer mais nada.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Já o Natal?


Há meses (já lhes perdi a conta) que "penso" no Natal porque procuro reservar (e comprar) viagens para o passar em casa. Não está fácil. As viagens continuam, dia após dia, absurdamente caras e eu já nem sei o que fazer. Não dá para acreditar que me peçam mais de 500€ para passar fazer 1h30 de viagem de avião, nem 15 dias lá passando. Tendo em conta que somos dois, o preço duplica e com esse valor bem poderíamos ir para o outro lado do mundo. Se as novas regras de reembolso vieram para melhorar as coisas, também fizeram com que nas épocas altas as companhias peçam no mínimo o valor máximo reembolsável, sendo na maioria muito superior.
Não quero passar mais um Natal como o do ano passado, custou-me tanto estar longe dos meus, senti-me verdadeiramente miserável pela forma como as coisas se organizaram e aconteceram e já sofro com essa possibilidade. Não quero aquilo para mim, para nós, outra vez. 
Ele já me prometeu que se nos virmos obrigados a cá ficar não passaremos o Natal senão na nossa casa e quem quiser estar connosco é lá que terá de ir, não o contrário e assim não teremos de estar separados por caprichos alheios. É claro que isso melhora as coisas mas não me descansa nem apaga a memória do ano passado infeliz.
Deus nos ajude a encontrar forma de passar o Natal na minha terra, com os meus, este ano, por favor! Seria a melhor prenda de Natal do mundo.

Dois anos volvidos

 A última publicação aqui foi em 2020...será que ainda sei como isto se faz? Será que ainda está por aí alguém? Não foi isso que me incentiv...